A partir da segunda quinzena de janeiro, quando o nome de Erick Musso (PMDB) passou a se consolidar com a derrocada de Thedorico Ferraço (DEM) para a disputa à reeleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa e os holofotes se voltaram para a união dos deputados em torno de um objetivo comum: pôr fim à dinastia Ferraço na Mesa.
Ali se viu a primeira fissura na relação “harmônica” entre o Legislativo e o Executivo, já que Ferraço parecia esperar a ingerência palaciana a seu favor para a recondução ao comando da Casa, depois de ter dado tantos sinais de lealdade ao governador Paulo Hartung (PMDB).
Mas ele não foi o único que saiu insatisfeito do processo. Nos últimos três dias, quando se intensificou a discussão para a distribuição dos demais cargos da Mesa Diretora. A dança das cadeiras foi intensa e todo mundo queria um pedacinho, de espaço ou de cargos comissionados nomeados pela Mesa.
No fim das contas, muita gente saiu insatisfeita, o que mostra que Erick Musso não se saiu muito bem no primeiro teste. Ele se desdobrou em reuniões para tentar acomodar todos os interesses, mas a poucas horas da eleição foi necessária a ingerência dos interlocutores do governador Paulo Hartung para bater o martelo, o que deixa a preocupação sobre como será a gestão que começa.
Terá Erick Musso musculatura para segurar as indisposições que podem surgir no plenário, com os fatores externos – reeleição dos deputados, principalmente – pressionando a Mesa Diretora? Aí a solução foi colocar o experiente Enivaldo dos Anjos (PSD) na segunda secretaria, mas só ele vai ter condições de amenizar as insatisfações?
Como os deputados não têm condições de cobrar a conta de seus desgastes em suas bases do governo do Estado, eles vão cobrar da Mesa Diretora, o que pode agravar o clima pesado no plenário.
Fragmentos:
1 – Antes mesmo de a Mesa Diretora ter sido eleita, já tem muita gente de Aracruz, terra natal de Erick Musso (PMDB), circulando pela Assembleia. Com o fim da gestão de Marcelo Coelho (PDT), aliado de Musso no município, o jeito é arrumar as malas para encontrar outro espaço do grupo.
2 – Já na Assembleia, o clima é de velório. Depois de quatro anos de gestão de Theodorico Ferraço (DEM) a espera pelo Diário do Legislativo, que será sangrento, é angustiante para os servidores que serão exonerados.
3 – Os vereadores de Vitória realizaram reunião do colégio de líderes nessa terça-feira (31), se preparando para o retorno aos trabalhos depois do recesso.

