O impacto político trazido pelas delações dos ex-executivos da Odebrecht teve um efeito devastador no Espírito Santo. Suas principais lideranças políticas foram feridas gravemente pelas denúncias, o que deixa totalmente em aberto o processo eleitoral do próximo ano.
A tentativa do governador de entregar o senador Ricardo Ferraço (PSDB) como boi de piranha foi mais uma estratégia que não deu muito certo. O foco parece estar centrado mesmo no governador Paulo Hartung (PMDB) e no ex-governador Renato Casagrande (PSB). Diante do quadro, cada um deles tenta reagir ao seu modo.
O governador Paulo Hartung deveria estar em férias, desde o início da semana passada, mas não pode se desligar. Hartung entendeu que uma retirada neste momento não amenizaria as críticas, muito pelo contrário, criaria a sensação de que o governador estaria se esquivando, temendo as denúncias. Sua estratégia foi a de tentar reunir seus aliados dos campos empresarial e político para mostrar que a vida segue.
Enquanto o vice-governador César Colnago (PSDB) cumpre agendas externas, representando o Palácio Anchieta, Hartung se reúne com lideranças empresariais e políticas para provar que ainda tem poder de aglutinação. Abriu a semana passada se reunindo com a elite empresarial do Estado e terminou a conversando com a nova gestão da Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes).
O ex-governador Renato Casagrande tem sido mais ousado. Não se furta de responder aos questionamentos sobre as denúncias que o envolvem no esquema da Odebrecht em sua página do Facebook, batendo na tecla de que as doações para suas campanhas e de aliados foram legais.
Ele também mostrou coragem para ficar cara a cara com as ruas. Na noite do último sábado (22), como faz todos os anos, acompanhou a Romaria dos Homens, que sai da Catedral de Vitória e segue até a Prainha, em Vila Velha. Para enfrentar a multidão depois dos escândalos, convenhamos, só mesmo para quem tem muita fé.
Fragmentos:
1 – Tá correndo solto nas redes sociais a lista dos deputados capixabas que votaram a favor da urgência no projeto da reforma trabalhista. E os comentários não são dos mais favoráveis para os deputados. Sobretudo para Lelo Coimbra (PMDB), líder da maioria do governo Temer na Câmara e que vem defendido o ponto de vista do “chefe”.
2 – Mas ele não é o único alvo vigiado de perto pelos eleitores. Não é só na Câmara que o foco está colocado. Os três senadores que se cuidem. Os emails e telefones dos parlamentares capixabas estão sendo divulgados nas redes sociais para que o eleitor cobre um posicionamento dos parlamentares.
3 – Esse movimento pode ter repercussões no processo eleitoral do ano que vem, quando todos estarão em campo encarando o eleitor e pedindo votos. Será que até lá o eleitor esquecerá como votaram os deputados e senadores do Estado nas reformas?