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Terça, 26 Janeiro 2021

Mirou num pássaro e acertou o bando

 

Quando iniciou as investigações para apurar as denúncias de violações de direitos humanos no Instituto de Atendimento Sócioeducativo do Espírito Santo (Iases), o delegado Rodolfo Laterza, que comanda a Operação Pixote, provavelmente não imaginava que se depararia com um intrincado sistema de corrupção instalado na autarquia.
 
O próprio governador Renato Casagrande, preocupado em dar uma resposta ao governo federal - que cobrava uma ação mais enérgica do Estado capixaba para pôr fim às medidas protetivas impostas pela Organização dos Estados Americanos (OEA) -, também não devia ter dimensão que violação e corrupção andavam juntas no Iases. 
 
O aprofundamento das investigações, conduzidas com competência pela força-tarefa até aqui, não só confirmou as denúncias de maus-tratos, rebeliões orquestradas e até fugas premeditadas nas unidades de internação do Estado, como também desvelou que havia muita gente ganhando dinheiro em cima de um sério problema social: a ressocialização de adolescentes em conflito com a lei. 
 
Enquanto o contribuinte pagava caro acreditando que o Estado estava fazendo de tudo para ressocializar jovens que se perderam no mundo do crime, uma verdadeira rede criminosa enriquecia à custa de vidas humanas. 
 
A esta altura é impossível mensurar, mas quantos jovens deixaram de ser ressocializados em função da ganância de pessoas que estavam dispostas a ganhar dinheiro com a tragédia humana? Quantos desses jovens voltaram às ruas, provavelmente “piorados”, e tornaram a furtar, assaltar e até matar? Quantas vidas foram perdidas? 
 
Até agora as investigações que pretendiam apurar denúncias de violações de direitos já levaram para a cadeia 13 pessoas. O mais preocupante é que a rede criminosa é formada por gente graúda, que comanda ou comandava o sistema. 
 
Com a finalização do trabalho de investigação da força-tarefa, que resultou num inquérito já em mãos da Justiça e do Ministério Público Estadual, outros figurões acabaram sendo envolvidos no esquema de corrupção. Na lista de pessoas que estavam enriquecendo supostamente à custa de um problema social tão grave, aparece um secretário de Estado, um deputado estadual (que quer ser prefeito) e até um juiz. 
 
Agora que o caso está nas mãos do Ministério Público, novas surpresas são reservadas. Ninguém sabe se a instituição irá engavetar o caso ou agir como o mesmo rigor do delegado, que mirou num pássaro, mas acabou acertando o bando todo. 
 
 
 

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