O período pré-eleitoral tem mostrado uma preocupação muito grande dos pretendentes a prefeitos em estarem em diálogo tranquilo com o atual governador Paulo Hartung (PMDB). Boa parte pode estar ligada às condições de governabilidade depois que os votos forem computados.
Afinal, ainda está viva na memória da população a dificuldade enfrentada pelo então prefeito de Vila Velha, Max Filho, hoje no PSDB, em governar sua cidade tendo Paulo Hartung do outro lado do balcão. Não conseguia fazer nada na cidade se dependesse de dinheiro do governo do Estado.
Mais viva ainda está a negativa de ajuda do governador aos prefeitos do Estado – principalmente àqueles que assinaram o tal apoio à reeleição de Renato Casagrande (PSB) –, que estiveram com o pires na mão, pedindo arrego. É melhor colocar as barbas de molho.
Agora, uma coisa é estar em harmonia com o Palácio Anchieta, outra é ter Hartung no palanque. As disputas locais, como o próprio nome diz, envolvem os problemas das cidades, as demandas dos moradores e as cobranças por soluções desses problemas.
Neste contexto, a disputa política indireta entre o governador e seu antecessor pode acabar trazendo prejuízos para as lideranças municipais. O eleitor do município precisa de projetos que tragam soluções imediatas para problemas bem pontuais. Além disso, em crises políticas e descrédito das lideranças, quando menos gente no palanque, melhor.
Outra coisa que deve ser levada em conta é que não se sabe como anda a popularidade de Hartung. No início de 2015, início de governo, já não era boa. O discurso economicista, de rearranjo das contas públicas, prejudicou os serviços e a população ainda não sentiu o efeito da tal “sacudida” que Hartung prometeu. Por isso, ter Hartung nos bastidores, no palanque, é outra coisa.