A eleição em Vitória é uma remodelagem total na política capixaba. Ao vencer o deputado Amaro Neto (SD) por uma diferença apertada(4.424 votos), o prefeito reeleito Luciano Rezende (PPS) credenciou-se para voos mais altos. Até porque visualizou com muita antecedência o fenômeno que nascia para infernizar à sua classe política
Tratou logo de lidar com ela e com a prudência necessária. Arregimentou lideranças para fortalecer seu palanque. Começando por atrair o ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), que deixou a disputa para ficar com ele. Abrindo, inclusive, mão de uma candidatura altamente competitiva. Depois vieram outros e mais outros, enchendo o seu palanque no segundo turno. Casos, por exemplo, do deputado federal Lelo Coimbra (PMDB) e do deputado estadual Sérgio Majeski (PSDB), que se somaram ao ex-governador Renato Casagrande (PSB) para apoiar Luciano.
Depois dessa façanha, de abater a duras penas esse fenômeno, não diria político, mas popular, que é o deputado Amaro Neto, Luciano ganhou com esse novo mandato condições plenas para almejar outros projetos. Não diria que ele toparia agora, em 2018, como uma nome para o governo. Acredito nessa hipótese para 2022. Pois 2018, está marcado ainda para um canto de cisne, tanto do governador Paulo Hartung como do ex-governador Casagrande.
Não se pode deixar de assinalar que no seu presente mandato Luciano levou parte dele flertando com Hartung. E diferente do que deveria ter procedido na campanha agora, principalmente o segundo turno, não deu praticamente a visibilidade necessária a Casagrande, que precisava desse empurrão, pelo grau de sua importância como ensaio para quem pretende disputar o governo em 2018. Não levantou a voz uma única vez para fazer qualquer referência depreciativa ao governador Paulo Hartung. Longe disso.
Agora, quanto a esse povo todo que juntou-se a ele (Luiz Paulo e companhia), Luciano deve mais agradecimentos do que qualquer outra compensação política. Já que foi Luciano quem foi de verdade ao combate com uma figura política imprevisível e competitiva – uma real ameaça ao seu projeto de reeleição, como inclusive ficou claro no resultados das urnas. Outro que não tivesse a estrutura de combate de Luciano, diria até o próprio Luiz Paulo, não sei não…
Pois o resultado desse segundo turno mostra, com absoluta nitidez, que o Amaro sozinho deu um suador enorme nesse povo todo que juntou-se na arca do Luciano. Amaro veio para ficar. Com um capital político de quem conquistou com folga os votos da periferia de Vitória e ainda comeu um bom pedaço da classe média. Da prefeitura de Vitória, inclusive, saíram para o governo os prefeitos Vitor Buaiz e Paulo Hartung. É oportuno fazer esse registro.
Diferente da arca de Luciano, Amaro preferiu atrair novas figuras (não diria lideranças). Caso do secretário de Agricultura Octaciano Netto, do vereador Max da Mata (PDT), do vereador Serjão Magalhães (PTB). E de uma figura carimbada, por razões meramente partidárias, caso do presidente regional do seu partido no Estado, o deputado federal Carlos Manato. Andou por essa passarela também o deputado estadual Enivaldo dos Anjos(PSD).
Ainda cabe nesse comentário o registro do comportamento do governador Paulo Hartung, de quem muitos esperavam o apoio a Amaro. Não corresponde à realidade. Ele que queria o Amaro de início para evitar o Luciano no segundo turno, assustou-se com o desempenho eleitoral do apresentador de TV no primeiro turno. Hartung acabou despachando o seu pessoal para Luciano e deixou Amaro a ver navios.
O fato é que agora existe um lobo na floresta da política capixaba.

