Pelo que se observa até agora nos movimentos iniciais do governador eleito, Renato Casagrande (PSB), o Espírito Santo tem a oportunidade de chegar a um ancoradouro na gestão pública que poderá gerar alterações de rumo para levá-lo a um fase de maior equilíbrio socioeconômico e cultural. Um cenário que ocorre no fim da Era Hartung, marcada pelo atraso na área social, e apesar das incertezas projetadas pelos desatinos do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).
Casagrande tem a chance de resgatar equívocos de sua primeira gestão, que o levaram a ser mal avaliados pelo eleitor, como mostra pesquisa do Ibope contratada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em julho de 2013.
No levantamento, 76% acharam que o governo e os secretários utilizaram mal os recursos públicos, enquanto 26% avaliaram governo como ruim ou péssimo.
Era um cenário favorável ao então ex-aliado Paulo Hartung, que o apoiara na sucessão do governo, em 2010, quebrar o acerto da “unanimidade”, que visava partilhar o poder entre os dois até 2025. Uma sucessão de confrontos e oposição, fator preponderante para Casagrande ser derrotado em 2014, subjugado pelo mantra hartunguista de “colocar o Estado novamente nos trilhos”.
Não colou e deu no que deu: um Estado mergulhado em problemas, decorrentes da ampliação do loteamento de cargos entre grupos políticos, abandono do funcionalismo público, com destaque para a Polícia Militar, que deflagrou uma greve geral em 2017, aumento da violência e ampliação da concessão de renúncias e dos índices de sonegação fiscais.
O governador eleito sinaliza com alterações importantes na área de educação, até então debaixo crivo do Instituto Millenium, que trouxe para o Espírito Santo o projeto Escola Viva, implantado de forma abrupta, com sensíveis prejuízos principalmente às populações interioranas. Esse programa representou, também, o abandono das escolas das famílias agrícolas.
O secretário de Educação indicado, professor Vitor de Angelo, tem a responsabilidade de resgatar um setor essencial em toda e qualquer gestão pública. Seu currículo, construído fora da área política eleitoral, o coloca bem posicionado em relação às questões primordiais da atualidade, como o inconcebível “Escola sem partido”, que sufoca o pensamento crítico do aluno, contribuindo para a formação de jovens cada vez mais alienados da realidade.
As questões pendentes vão além desse projeto. Elas dizem respeito, também, à valorização do magistério, condições de trabalho e outras relacionadas às chamadas economias internas, que passam por moradia, saneamento e redução de desigualdades sociais, que se ligam diretamente à questão de segurança pública.

