O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou nesta quarta-feira (25) o estudo “Violência contra a mulher: feminicídios no Brasil”. Como já está se tornando corriqueiro, o Espírito Santo, que detém há mais de uma década a vice-liderança nacional do ranking geral de homicídios, é líder absoluto quando a vítima é a mulher.
Segundo o Ipea, a taxa média de feminicídio no Espírito Santo entre 2009 e 2011 (período estudado) foi de 11,24 assassinatos para cada grupo de 100 mil mulheres. Para se ter uma ideia da gravidade desse índice, a média nacional ficou 5,82/100 mil, metade da capixaba.
São Paulo, Santa Catarina e Piauí tiveram taxa abaixo de 4/100 mil – três vezes inferior à do Espírito Santo. Os números confirmam uma tendência bastante lógica. Estados que detêm taxas elevadas de homicídios no geral também costumam liderar os índices nos segmentos de mulheres e de jovens negros.
Alagoas, por exemplo, que lidera a taxa geral de homicídios, é terceiro colocado nas mortes de mulheres. Já São Paulo, que ostenta uma das taxas mais baixas de homicídios gerais do país, é o terceiro onde menos se mata mulheres: taxa de 3,7/100 mil.
A pesquisa traça o perfil da vítima: mais da metade (54%) das mulheres assassinadas eram jovens (20 a 39 anos); 61% negras; a maioria tinha baixa escolaridade – 48% daquelas com 15 ou mais anos de idade tinham até 8 anos de estudo. A arma de fogo (50%) foi o instrumento preferido dos assassinos para eliminar as mulheres, outros 34% preferiram instrumentos perfurantes ou cortantes. O estudo revela ainda que 29% dos feminicídios ocorreram em casa e 31% em vias públicas. Chama a atenção também que 36% das mortes ocorreram nos finais de semana.
Os dados da pesquisa cruzados com o noticiário dos jornais diários trazem uma constatação estarrecedora : a maioria das mulheres morre por motivos banais. Geralmente, o autor dessa violência é o próprio parceiro ou mesmo ex da vítima. Isso mostra que a cultura patriarcal, machista e sexista ainda está na raiz das causas da violência.
Essa lógica retrograda, de acordo com a pesquisa, é mais presente nos estados nordestinos, culturalmente mais atrasados. Espírito Santo é exceção. Embora geograficamente na Região Sudeste, o Estado capixaba apresenta as mesmas características dos estado nordestinos, onde a mulher ainda ocupa uma posição secundária na sociedade.
Outro dado alarmante revelado pela pesquisa é que a Lei Maria da Penha não conseguiu coibir a violência contra a mulher. Os comparativos antes e depois da lei mostram que em alguns estados os índices subiram. Esse dado deixa patente que a impunidade, como nos casos dos homicídios em geral, é um dos principais fatores que contribuem para o feminicídio.

