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Na contramãodo interesse popular

Política, quando feita por pessoas interessadas em defender a maioria da população, independentemente das correntes ideológicas, deve sempre priorizar o interesse público. Infelizmente, não foi o que ocorreu neste início de semana no município de Viana. Por seis votos a quatro, os vereadores rejeitaram projeto do prefeito Gilson Daniel (PV) que destinava R$ 1,352 milhão do Orçamento para a reforma de unidades de saúde, escolas e aquisição de materiais para utilização na rede educacional, visando melhorar a qualidade do ensino.
 
Os recursos são provenientes do Fundeb, FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), Sistema Único de Saúde (SUS), convênios com o governo estadual e recursos próprios da municipalidade. Como parte dos recursos – sobretudo os que têm origem federal – tem destinação específica (as chamadas verbas carimbadas), se eles não forem utilizados nas reformas rejeitadas por parte dos vereadores, Viana corre o risco de perdê-los.
 
O prefeito Gilson Daniel (PV) manifestou surpresa, em A Tribuna, com a posição adotada por seis vereadores e desabafou: “Como podem alguns vereadores votarem contra o interesse da população? Está difícil entender, é triste, mas mesmo assim vou buscar o diálogo para mostrar que a população de Viana não pode ser prejudicada e perder recursos que poderão proporcionar melhorias em setores vitais como saúde e educação”.
 
Não é a primeira vez que, em Viana, ocorrem distorções políticas por conta de divergências entre Executivo e Legislativo, que acabam prejudicando a população. Em passado não muito distante, não foram poucas as denúncias de malversação de recursos em detrimento do interesse popular. Não é o caso desta vez, pois a Prefeitura apenas tratou de viabilizar projetos com verbas federais e estaduais que, se forem mesmo rejeitados pela Câmara, podem deixar de sere aplicados em Viana e retornarem a Brasília (caso das verbas da União).
 
Por isso mesmo, cabe uma reflexão aos vereadores Paulinho Brandão (PSB), Patrick do Gás (PR), Jonacir da Farmácia (PMDB), Nina (PSD), Fabinho do Carvão (PSB) e Gilmar Mariano (Solidariedade), para reverem suas posições diante da disposição do prefeito de procurá-los para uma conversa em torno da questão. O procurador da Câmara, Paulo César Cunha Lima, indicado pela presidência da Câmara para explicar o caso aos jornalistas, disse que o projeto nem estava em pauta na sessão da última segunda-feira e só foi votado após pedido assinado pelo presidente da Comissão de Educação e Saúde, vereador Paulinho Brandão e outros colegas.
 
É bom estes vereadores não esquecerem as lições que as recentes manifestações que têm ocorrido Brasil afora em defesa da melhoria da Educação, Saúde e Segurança Pública. Elas naturalmente também chegarão a Viana. E eles não terão como explicar aos próprios eleitores como votaram contra a aplicação de recursos federais carimbados em melhores condições de ensino e de atendimento médico para a comunidade.
 
É o tal negócio: durante a campanha, independentemente dos partidos, todos prometeram se empenhar em melhorar a Educação, a Saúde e a Segurança Pública. Uma vez eleitos, esquecem as promessas e, por divergências eventuais com o prefeito Gilson Daniel, acabaram se voltando contra a própria população. É, portanto, mais um caso revoltante que só pode ser atribuído às “picuinhas” que volta e meia se manifestam na política de Viana. Ainda está em tempo de os vereadores reverem suas posições…

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