O senador Ricardo Ferraço (PSDB), agora na comissão que avalia mudanças na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), e o deputado federal Lelo Coimbra (PMDB), líder da maioria que vem defendendo as reformas trabalhistas propostas pelo governo federal, estão atraindo os holofotes para suas atuações nesse debate. Uma jogada pra lá de arriscada para ambos, uma vez que essa é uma movimentação que pode trazer mais ônus do que bônus.
Os dois estão caminhando em uma tênue corda bamba e todo cuidado nessa hora é pouco. Após o baque trazido pela denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janout, aceita pelo ministro-relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, incluindo senador no rol dos que receberam recursos financeiros da Odebrecht, para campanha, a imagem do tucano trincou.
Ele precisava de uma ação para se reerguer e a comissão é uma oportunidade, mas é uma faca de dois gumes. A reforma está bem longe de agradar o eleitor, por isso, o resultado da reforma pode trazer prejuízos para a imagem do tucano. O senador vem fazendo a defesa do projeto enquanto colhe sugestões. O jeito é esperar para saber qual será o resultado político disso.
O caso de Lelo Coimbra é ainda mais complicado. O deputado tem feito uma defesa inflamada das reformas trabalhista e previdenciária. Tem garantido que haverá maioria do governo no Plenário, está bancando alto. No caso da reforma trabalhista, pode até conseguir apoios, mas com a reforma da Previdência, a situação é mais complicada.
Com 70% da população contrária à reforma, as chances de prejuízo à imagem são ainda mais altas que as de Ricardo Ferraço. Lelo é uma figura complexa para a disputa do próximo ano. Conquistou seus mandatos até aqui com o apoio do governador Paulo Hartung (PMDB). Mas não se sabe como o governador estará para a eleição do próximo ano do ponto de vista de prestígio político. Ainda que se recupere, ele parece estar mudando suas peças auxiliares no palanque, o que pode deixar Lelo Coimbra de fora.
As reformas estão em andamento e só o tempo dirá o que os capixabas vão colher dessas suas escolhas. Uma coisa é certa, as redes sociais estão com o foco nos dois parlamentares e nos seus colegas de bancada.
Fragmentos:
1 – A aprovação da proposta de anistia para os policiais militares envolvidos na greve velada de fevereiro, na Comissão de Segurança da Câmara dos Deputados, não deve ter agradado o governador Paulo Hartung (PMDB). A ideia era a de punir alguns militares para tentar passar um pano na crise.
2 – Hartung tem reunido prefeitos e pelo jeito agora vai abrir o cofre para tentar recuperar a imagem. Que coincidência a crise começa a passar quando a água começa a subir!
3 – Os prefeitos estão seguindo a linha do governador Paulo Hartung, fazendo planejamento com a equipe. Nessa terça-feira (2) foi a vez do prefeito da Serra Audifax Barcelos (Rede) debater os projetos para a cidade.

