Em tese, o vice-governador César Colnago (PSDB) é a liderança política com a senha número um para a sucessão de Paulo Hartung (PMDB) ao Palácio Anchieta, como o próprio peemedebista afirmou antes mesmo de tomar posse em 2015. E é isso que causa um certo desconforto na classe política. Hartung não é o tipo de liderança que antecipa qualquer tipo de movimento, muito menos um cenário para depois de quatro anos.
Diante da movimentação iniciada pelo Palácio Anchieta de que o governador pode deixar o PMDB e migrar para o PSDB de Colnago, acendeu o sinal de alerta. As afirmações de que Hartung vai se desincompatibilizar em abril do próximo ano, passando a caneta para Colnago para que ele possa disputar o governo, são possibilidades inconsistentes demais para se cravar como certas.
A história de que ele vai disputar o Senado, acomodando o senador Ricardo Ferraço (PSDB) na disputa ao governo, o que lançaria Colnago na corrida à Câmara dos Deputados, também é uma aposta arriscada. Por isso, a expressão “cargo de expectativa” nunca fez tanto sentido, quando se trata do posto de César Colnago de vice-governador. Pode acontecer tudo isso, e pode não acontecer nada disso.
A classe política coloca a possibilidade de Hartung disputar a reeleição como algo descartado, o que não é. Tudo vai depender do cenário político no Estado e fora dele em 2018. Se o campo nacional estiver árido demais para Hartung, ele pode repetir a atitude de 2010, quando sua candidatura ao Senado era dada como certa, e disputar a reeleição, sim. Permanecendo no cargo, sem dar tão sonhada caneta a Colnago.
Mas não se deve achar que Colnago é o elo mais frágil desse debate. Desde a manobra que o levou à presidência da Assembleia (2005 – 2006), desbancando a candidatura consolidada de Mariazinha Vellozo Lucas, a parceria de Hartung com Colnago não tem prejudicado o tucano. Muito pelo contrário. Parece haver um respeito muito grande de Hartung com seu vice, que tanto ajudou o governador a chegar onde está hoje.
Em 2014, Colnago conseguiu desarmar a candidatura ao Senado de Luiz Paulo Vellozo Lucas, tirando o PSDB do palanque de Renato Casagrande, para se abrigar na candidatura de Paulo Hartung.
O tucano, como fez em todos os processos articulados com Hartung, permanece tranquilo. E enquanto Colnago estiver tranquilo é sinal de que ele está forte no jogo.

