A coluna sempre defendeu que o sistema político que se pratica no Espírito Santo na última década, baseado na unanimidade e no arranjo institucional, é prejudicial à democracia. Com a proximidade de mais uma eleição estadual e a possibilidade de um embate eleitoral entre o governador Renato Casagrande e o ex-governador Paulo Hartung (PMDB), cria-se uma ideia de que esse processo chegou ao fim.
Mas é preciso analisar a situação com calma. A disputa, caso se confirme como polarizada, se dará entre Hartung, que criou a unanimidade, e Casagrande, que foi eleito nela e tenta mantê-la. Por isso, não há que falar em fim da unanimidade, afinal de contas, a disputa está dentro do grupo. Não há um nome novo, alheio ao esquema de poder que se estabeleceu no Estado. Guerino Balestrassi (PSDB) também não representa uma saída desse círculo.
A quebra da unanimidade representa neste momento apenas um mecanismo para a disputa de poder. Se Renato Casagrande vencer a eleição, a classe política novamente vai se reunir em torno de seu segundo mandato, afinal, a classe política dialoga com a caneta.
Se Hartung vencer a eleição, a unanimidade voltará a ser interessante. Não dá para acreditar que quem governou o Estado por dois mandatos, sem que sequer uma voz se levantasse contra seu governo, vá aceitar divergências caso retorne ao Palácio Anchieta.
E aí fica a dúvida. Se a disputa for mesmo polarizada, haverá oposição no novo governo? Se Hartung vencer, o PSB será oposição? E se o socialista se reeleger, o PMDB, logo o PMDB, vai se afastar do poder no Estado? E como ficam as outras forças políticas nessa história?
Apesar da previsão de disputa eleitoral para o governo do Estado, é ingenuidade acreditar que haverá uma mudança na relação da classe política. O que existe é uma movimentação momentânea que atende a uma disputa de poder. Depois volta tudo a ser como antes.
Fragmentos:
1 – Do deputado estadual Atayde Armani (DEM) sobre a questão da Rodosol: “Todo mundo quer ser pai de filho bonito. Filho feio ninguém quer ser o pai”.
2 – Aliás, os deputados, sobretudo os da Grande Vitória, devem espichar esse debate o quanto der. Nesta quarta-feira (23), com a pauta esvaziada, os parlamentares aproveitaram para falar sobre o assunto.
3 – Até o fim do ano o governo do Estado espera colocar o Aquaviário para funcionar. Isso sim será um grande avanço para a mobilidade na Grande Vitória.

