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Na sombra da sucessão

Pelo Espírito Santo afora não deve haver vozes dissonantes quando se trata da queda da popularidade do governador Paula Hartung. O que o faz correr atrás do deputado federal e ex-prefeito de Vila Velha Max Filho (PSDB); ou andar na Serra em busca de unir o atual prefeito Audifax Barcelos (Rede) ao seu desafeto, o ex-prefeito serrano e deputado federal Sérgio Vidigal (PDT).
 
Hartung fez essa movimentação com vistas a calçar a sua reeleição nos dois maiores colégios eleitorais do Estado. Uma espécie de segurança eleitoral para que ele possa conduzir o processo no resto do Estado, já que em Vitória, ele encostou-se no deputado estadual Amaro Neto (Solidariedade) para desfrutar da popularidade do apresentador do programa Balanço Geral.
 
Uma espécie, digamos, de tripé para garantir uma eleição sem precisar botar a cara na rua. Tirando o Amaro Neto, que ainda é um beócio em matéria de política, o mesmo não ocorre com Max Filho e Audifax. O prefeito da Serra então é vidrado pelo governo. Há uns oito meses, numa conversa solta comigo, ouvi dele, que se reeleito prefeito, governaria somente dois anos, pois seria candidato ao governo do Estado.
 
Não sei se continua com o mesmo propósito, mas ele tem tudo para ir adiante com a empreitada, não é sem outro propósito que tenha arrumado um partido para si, a Rede. Sem falar que um propósito desse, pasmem, o liga ao ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT), que, por ora, está um tanto o quanto temeroso em assumir a sua candidatura à prefeitura da Serra. Uma escolha dessa de Audifax devolve a Serra para o domínio do Vidigal. E não há quem não saiba no mundo da política que Vidigal só enxerga política na Serra.
 
Já com Max Filho, uma candidatura ao governo, está na sua linha de prioridade. Pois ela começa com a vantagem de quem tem um grande reduto eleitoral (Vila Velha). De onde pode largar com uma boa dianteira num pleito para o governo. Mas ele está no PSDB do vice-governador César Colnago, velho parceiro de PH.
 
Só que Colnago não é hartunguete. Ele enxerta o time de PH. O tucano só entra onde leva vantagem. Como foi essa de levar o Max Filho para o partido dele. Com certeza para criar um respiradouro para ele próprio. Tanto que Max Filho não teve qualquer embaraço em sair pelo Estado criando novos diretórios para o PSDB, virando, em muito pouco tempo, uma figura de destaque no partido..
 
Do jeito que PH fecha seus acordos, passando a ideia de que ele será mesmo candidato à reeleição, César Colnago estará n’àgua. Pois PH já fechou as duas vagas para o Senado: uma com o senador Magno Malta (PR) e a outra com o senador Ricardo Ferraço (PSDB). Não sobra nada de bom para o Colnago. Para quem PH prometia entregar o governo capaz de proporcionar-lhe uma disputa ao Palácio Anchieta, pode caber mesmo uma singela cadeira na Câmara dos Deputados.
 
Mas César Colnago não é ansioso. Ninguém lida melhor com o despotismo de PH do que ele. Ainda mais numa circunstância em que há escapes como Max Filho para contracenar com PH numa disputa para o governo.
 
Mas esse cenário de Audifax e Max Filho, numa disputa ao governo, depende, para poder realmente acontecer, das oscilações de prestígio do governador Paulo Hartung. Diria mais: Audifax menos, Max Filho mais. Mas de qualquer maneira eles serão presenças decisivas até numa disputa entre PH e o ex-governador Renato Casagrande (PSB).
 
De qualquer maneira, presenças asseguradas no futuro político do Estado, num Estado em que uma disputa ao governo restringe-se , por falta de quadros, a PH e Casagrande. Poderia também lembrar da senadora Rose de Freitas (PMDB), até poderia, se ela não fosse tão instável. Não costuma dar liga. E disputar o governo exige dar liga.
 
É a nudez de um quadro político próprio da era PH, em que poucos escapam da sua guilhotina.

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