
A vitória de Paulo Hartung (PMDB) ao governo do Estado se deve à estratégia que dividiu com o marqueteiro que contratou, o alagoano residente em Brasília, Jorge Oliveira, que colocou no lugar de Bete Rodrigues. Estratégia esta que segurou o crescimento de Renato Casagrande na Grande Vitória e tomou conta do interior. Pois veio do interior a sua vitória. Na Grande Vitória, apesar de apertado, Casagrande chegou na frente de Hartung em Vila Velha, Serra e Viana e, colado, em Vitória. O ex-governador ganhou mesmo em Cariacica. Agora, no interior, foi uma vitória estrondosa, inclusive nos municípios dos prefeitos do PSB, de Casagrande. Só que o Hartung que vem aí não será mais aquele, acima do bem e do mal. Essa possibilidade já não existe, pelo que se passou a conhecer de sua trajetória em seus governos. É uma nova era no Espírito Santo, com um outro Paulo Hartung, tendo no lombo denúncias que ele ainda não conseguiu explicar. Fora o fato de que enfrentará oposição de parte das forças que se alinharam com Casagrande. A era da unanimidade acabou. Hartung não conseguirá mais reeditar o arranjo que o blindou durante os seus oito anos de mandato.
Voo solo
A vitória da deputada federal Rose de Freitas (PMDB) para o Senado é mérito próprio, já que ela teve que lidar com a armação de uma aliança clandestina de Hartung com o candidato do PT, João Coser. Ela safou-se no interior, onde construiu sua eleição, e conseguiu tomar os votos dos adversários na Grande Vitória.
Contribuiu
Rose acabou sendo fundamental para que Hartung tivesse esse resultado excepcional no interior do Estado, muito embora, como ela disse em sua entrevista após a vitória, que não teve o apoio que deveria do governador eleito.
Tradução
Uma coisa era Rose deputada federal e Paulo Hartung governador no seu encalço, outra é ela senadora e com o ímpeto de disputar o comando do PMDB. Rose ressuscitou o PMDB histórico e tem maioria no partido.
Muda
Já o PT de Coser, muda. Não será mais dele, depois da sua derrota para o Senado. Principalmente do jeito que foi. A tendência é o PT ir para as mãos dos petistas históricos, como é o caso do eleito deputado federal Helder Salomão. O outro eleito à Câmara, o vice-governador de Renato Casagrande, Givaldo Vieira, que já foi muito próximo de Coser, não é mais. Adquiriu voo próprio dentro do partido.
Muda II
Evidente que o governador eleito vai querer contar com o PT, como contou nos seus dois governos. A questão vai estar no interlocutor e, com certeza, não será mais Coser. Além do mais, tanto Helder como Givaldo estavam no governo de Casagrande. A base do PT quer ir para a rua.
Dançou
Quem levou a pior nessa derrota de Casagrande foi mesmo o prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), com o seu projeto de reeleição em 2016. Ao colocar o vice na chapa de Casagrande, impediu que o governador atraísse outros partidos para aumentar o leque de sua coligação. Luciano estava com o olhar em 2018, quando seria o seu sucessor de Casagrande.
Zero a zero
Luciano Rezende, aliás, não conseguiu eleger nem seu candidato a deputado federal, Waguinho Ito (PPS).
PENSAMENTO:
“Saber dissimular é o saber dos reis”. Cardeal Richelieu

