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Não aguenta o trote

A prestação de contas na Assembleia Legislativa do governador em exercício, César Colnago (PSDB), nesta quarta-feira (17), comprovou aquilo o que Paulo Hartung (PMDB) mais temia: o enfrentamento com o deputado estadual Sérgio Majeski (PSDB). Dos parlamentares que poderiam causar algum desconforto à gestão estadual, foi ele, tão somente ele, que protagonizou o único embate duro com o próprio correligionário nas cinco horas de prestação de contas do exercício de 2016. Colnago e Majeski divergiram, trocaram chumbo grosso, e os efeitos desse embate certamente ainda terão muito que render, principalmente dentro do PSDB. Mas, efeitos políticos a parte, pela primeira vez a Casa é palco de um enfrentamento direto ao governo do Estado. Ainda mais nesse nível. Resultado de outro ineditismo: ter uma oposição – e qualificada – na Casa, o que tem incomodado bastante o governador. Majeski, assim como vem fazendo desde o início do mandato, cumpriu seu papel. Embora os deputados não tenham entendido até hoje, prestação de contas não serve para rasgar seda. Colnago, na posição de governador, apesar de ter perdido um pouco a mão na reação, também cumpriu o seu. Positivo o debate, positiva a divergência. Infelizmente, Hartung tem pavor desse princípio democrático básico. Já imaginou como ele reagiria se não tivesse corrido – como o diabo foge da cruz, bem lembrou Majeski – da sua obrigação de comparecer à Assembleia, ao invés de enviar um escudo? Quem não aguenta o trote…
Papelão
Aliás, durante a fala de Majeski, o secretário-chefe da Casa Civil, José Carlos da Fonseca Júnior, parecia animador de plateia dos secretários e servidores que compareceram em peso à Assembleia, especialmente escalados para a famosa claque…
Papelão II
Repito a pergunta do deputado: esse pessoal tem folga em plena quarta-feira? Gritar e bater palma a cada fala de Colnago, e vaiar as de Majeski, igual torcida organizada, sinceramente…vergonha alheia!
Reparos
Também na prestação, ficou claro o esforço de Colnago de levantar a moral do secretário de Agricultura, Octaciano Neto, e do diretor da Cesan, Paulo Ruy Carnelli. Sempre que possível, encaixava o nome dos dois em suas falas. Os dois estão no centro de críticas e denúncias da Assembleia: o primeiro por construção de barragens e questionamentos feitos à pasta, o outro pela polêmica da Cesan.
Imagem
Já o deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM) aproveitou a prestação de contas do governo para, mais uma vez, prestar contas do mandato da sua mulher, Norma Ayub (DEM), na Câmara dos Deputados. Levantar questões a Colnago mesmo, como se esperava, nadica de nada.
Tentativas
Dos outros 30 deputados, fizeram perguntas e críticas, mas que não chegaram a incomodar Colnago, Euclério Sampaio (PDT), Da Vitória (PDT) e Freitas (PSB).
‘Vida corrida’
Hartung passou o governo para Colnago nessa terça-feira (16) ao meio-dia, entre uma agenda e outra no Palácio Anchieta. Às 15 horas enviou mensagem para Assembleia Legislativa sobre a prestação de contas desta quarta e embarcou 17h30. 
Gás para que te quero
A propósito, o governo do Estado, por meio da Agência de Regulação de Serviços Públicos (ARSP), fechou a contratação de uma empresa de consultoria (Quantum do Brasil Ltda) para definição do plano de negócios para exploração do serviço de gás canalizado. Pela bagatela de R$ 310 mil…
Caixa
Tanto investimento tem uma explicação: com a possibilidade cada vez mais remota de venda da Cesan e do Banestes, a exploração do serviço (que é público e do Estado) talvez seja o último ativo nas mãos do governo Hartung, para fazer um caixa a mais nesta reta final de mandato.
Saída providencial
O prefeito Sérgio Meneguelli (PMDB) jogou a bomba no mercado político de Colatina e partiu para Brasília, onde cumpre desde segunda-feira (15) agenda com ministros e parlamentares. Mas, se pensa que os ânimos estarão mais calmos no seu retorno, engana-se. As mudanças no secretariado ainda repercutem, com ele no alvo.
Boca no trombone
A ex-secretária de Administração, Valkineria Bussular, foi uma que “descascou” Meneguelli na Câmara de Vereadores. Exonerada por não aceitar migrar para uma pasta da qual não tem conhecimento técnico – Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente -, ela manifestou indignação à postura do prefeito, quem acusou de covardia e de falta de respeito e palavra. 
Boca no trombone II
Meneguelli, sabendo da posição de Bussular sobre a troca de secretarias, a convocou para uma reunião, mas sequer compareceu, designando outra pessoa para entregar a ela sua demissão da Administração, cargo em que pediu para permanecer, e nomeação na nova secretaria que havia recusado. “Não sou covarde como o prefeito, que sequer teve coragem de nos receber”. 
140 toques
“O governador não teve coragem de prestar contas na Ales e veio o vice, que retratou um Estado desconhecido: o Mundo da Fantasia do Baianinho”. (Deputado estadual Sérgio Majeski – PSDB, no Twitter sobre a prestação de contas de César Colnago nesta quarta-feira, 17)
PENSAMENTO:
“Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos”. Nelson Rodrigues

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