No último sábado (18) mais um argumento do governador Paulo Hartung (PMDB) foi desconstruído pela Agência Lupa, da Piauí-Folha de S. Paulo, tornando cada vez mais difícil a luta de Hartung para tentar recuperar sua imagem de grande gestor e exemplo para o Brasil, que vinha vendendo até a explosão da crise na segurança pública do Espírito Santo.
Até o dia 3 de fevereiro, o governador era festejado pela imprensa nacional. Colocado como um exemplo a ser seguido pelos demais gestores e cogitado até para uma possível candidatura à presidência em 2018. O nome dele apareceu em listas de presidenciáveis e costuras foram feitas com seu nome para compor chapas de vice.
Na pior das hipóteses, e a que era dada como certa no Espírito Santo, Hartung seria um candidato ao Senado com peso nacional, deixando para trás a tradição do baixo clero dos parlamentares capixabas. O caminho de 2018 abria várias oportunidades para o governador.
Agora, tirando algumas publicações às quais sua assessoria nacional tem acesso, o clima não está bom. A ideia de que a intransigência em negociar e o exagero no ajuste fiscal, que comprometeu os serviços do governo, Hartung tem acionado todas as possibilidades para recuperar sua imagem. Mas tem sido difícil. Mesmo com os artigos de amigos nos jornais de circulação nacional, não tem conseguido reverter a imagem pesada do início da semana.
Enquanto no Estado o jogo do Estado é duro contra a Polícia Militar, a imagem de Hartung vai minguando em nível nacional. Não que ele não possa até 2018 conseguir se recuperar, mas a tendência é de que os espaços se fechem e reste ao governador retonar ao seu poder hegemônico no Estado, para colocar a classe política para blindar sua imagem.
Já vem conseguindo isso com a imprensa amiga, que já se esqueceu do cenário de horror vivido nos últimos dias e agora volta para os manifestantes sua artilharia. Comprou a ideia vendida pelo governo de criminalização da Polícia Militar e tem deixado o governador de lado, mesmo diante de sua intransigência em negociar.
No meio desse fogo cruzado fica a classe política, que precisará buscar poio em suas bases, esquecidas pelo governo e não atacar o governador por causa do costume da submissão.
Fragmentos:
1 – A solidariedade entre os prefeitos na Grande Vitória parece ser restrita aos problemas de trânsito, coleta de lixo e compra de remédios. Enquanto a violência corre solta na periferia da região, o prefeito Luciano Rezende (PPS), de Vitória, comemora o “sucesso” do Carnaval. Uma escola de Samba da Serra entrou bem desfalcada porque os integrantes não se arriscaram a ir ao sambódromo.
2 – O PT defende que se o governador Paulo Hartung conceder a Secretaria de Desenvolvimento para o partido, acatando a indicação de João Coser em ser substituído pelo ex-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Carlos Casteglione é sinal de que a sigla se mantém alinhada ao governo do Estado. Mas, diante das circunstâncias atuais, tá valendo mesmo ficar no governo?
3 – A foto do prefeito Luciano Rezende ao lado do ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo (PSDB) e Renato Casagrande (PSB) é bem simbólica. O governo do Estado devolveu o camarote por motivos de segurança. Ficou mal.

