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Não há cavalo selado à vista

Diz a sabedoria popular que um cavalo selado não passa duas vezes na frente da mesma pessoa. A situação de incerteza do futuro político do senador Ricardo Ferraço (PMDB) remete ao dito. A imagem que se constrói é a do senador com os olhos voltados para o horizonte, sem piscar, esperando o cavalo selado passar para agarrar firme nas suas rédeas e montá-lo em galope. Honra seja feita, todas as vezes que o cavalo passou selado Ricardo não se furtou em montá-lo, ou pelo menos tentou. O problema é que o governador Paulo Hartung (PMDB) não dá sinais de que está disposto a arriar o cavalo para Ricardo. Ao contrário, os movimentos de Hartung põem ainda mais caraminhola na já atordoada cabeça do senador. Ele tem deixado vazar por aí que, caso não tente a reeleição, entrega a senha número 1 para o vice-governador César Colnago (PSDB). Claro que partindo de quem partiu, não dá para levar a sério. Todo mundo sabe que Hartung só toma decisões políticas importantes nos descontos da prorrogação. Mas mesmo assim a dúvida segue martelando na cabeça de Ricardo. E se Hartung decidir disputar o Senado, a outra vaga ficaria para o senador Magno Malta (PR), hoje aliado do governador? São muitas variáveis e nenhuma certeza. 
 
Vai não vai
O silêncio de Paulo Hartung em relação a ida de Ricardo Ferraço para o PSDB o deixa ainda mais aflito. Ele já repetiu várias vezes: “Olha, tô indo pro PSDB, em!”; “Agora é sério, tô indo mesmo!”; “Não tem mais como adiar. Talvez amanhã ainda anuncie a minha ida para o PSDB”. E nada. Ricardo vem jogando essa informação no ar, mas Hartung se mantém impassível. Não emite um discreto sinal que seja para confortá-lo: “Pode seguir em frente, está no caminho certo”. 
Trauma
Dá até para entender a aflição de Ricardo Ferraço. Não podemos esquecer que em 2010 ele também esperou o cavalo selado passar para montá-lo. À época, Hartung garantiu que Ricardo era o “cavaleiro” escolhido para sucedê-lo. Ele acreditou. Mas enquanto punha o arreio no cavalo, pronto para galopar em direção ao Palácio Anchieta, Hartung tomou-lhe a sela, o cavalo e até a dignidade e entregou tudo para Renato Casagrande (PSB). A queda foi dolorida. Ricardo, convenhamos, tem razão de ser traumatizado. Conhece o dono do cavalo.
Silêncio ensurdecedor 
Enquanto o governador Paulo Hartung (PMDB) correu para entregar à presidente Dilma o projeto de recuperação de nascentes do Instituto Terra, de Sebastião Salgado e sua esposa Lélia, pipocam nas redes sociais cobranças por um posicionamento do fotógrafo em relação à tragédia de Mariana (MG). É que, além dele ser de Aimorés (MG), a entidade é patrocinada pela Vale, acionista da Samarco Mineração. 
Carona 
Depois de Regência (Linhares), a classe política resolveu bater lá em Colatina (noroeste do Estado). Evento nesta sexta-feira (13), puxado pelo relator da comissão especial da crise hídrica da Câmara, deputado federal Givaldo Vieira (PT), reuniu a área federal para debater os impactos no Rio Doce. Na mesa, aproveitando a “deixa”, Lelo Coimbra (PMDB) e Paulo Foletto (PSB).
Palavra proibida 
O ex-governador Renato Casagrande (PSB) voltou a falar sobre a tragédia em suas redes sociais. Questionou o modelo atual de desenvolvimento, etc. e tal, mas na hora de dar nomes aos bois, olha só: “exigir da empresa a reparação social e ambiental”. Que empresa?
Onda de demissões
A Samarco Anchieta anunciou que, em função da tragédia de Mariana, as operações da mineradora no Estado vão ser paralisadas. Resultado: a empresa não descarta demissões. Mas, por enquanto, vai dar férias coletivas remuneradas aos funcionários. A Samarco não pôde garantir, porém, como ficará a situação dos terceirizados. Mas avisou que “torce” para que os funcionários das empreiteiras tenham o mesmo tratamento dos trabalhadores da Samarco.
Contramão
A prefeitura de Alegre está fora de compasso em relação ao MP de Contas. Acaba de instituir o “Diário Oficial” da Associação dos Municípios do Estado (Amunes) como sua “imprensa oficial alternativa”. Pois é, o MP questiona a legalidade do uso dessas publicações.
A perder de vista
Com problema até o pescoço, o Detran-ES não construirá tão cedo sua nova sede. O Instituto de Obras Públicas (Iopes) adiou, sem previsão, a licitação das obras.
Nas redes
“Tão letal quanto a lama das barragens da Samarco, é a gestão ambiental do Espírito Santo”. (Juntos – SOS Espírito Santo Ambiental – no Facebook).
PENSAMENTO:
A cólera é um cavalo fogoso; se lhe largamos o freio, o seu ardor exagerado em breve a deixa esgotada. William Shakespeare
(Colaborou José Rabelo)

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