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Nau à deriva

O que se viu na sessão dessa terça-feira (3) foi a demonstração de uma leitura completamente equivocada por parte do governo e de alguns deputados sobre o momento político pelo qual passa o Brasil e em especial o Espírito Santo.

Quando o deputado Gildevan Fernandes (PV) tenta tratar com normalidade um pedido de prazo regimental para uma matéria sobre a qual se criou uma enorme expectativa popular, mostra que ele não entendeu a gravidade do papel que aceitou desempenhar naquele momento.

Quando governo busca por meio de uma ação em cima da hora da Casa Civil pressionar os deputados a encamparem o discurso do governo, depois de ter permitido que a discussão chegasse àquela temperatura, mostra que também não está fazendo a leitura correta da situação.

Quando o governador por meio de seus emissários tenta colocar a essa altura do campeonato a justificativa do prejuízo aos cofres públicos, depois de o caldo ter entornado, mostra que também continua perdido no meio furacão. Nos últimos dias, o Espírito Santo parece uma nau à deriva, o controle da embarcação se perdeu e não se sabe para onde essa situação vai caminhar.

Uma coisa ficou evidente nessa discussão, o governo do Estado e a Assembleia têm problemas de interlocução. E isso não é de agora. É desde o início do governo Casagrande. Como bem disse um parlamentar, no passado o secretário chefe da Casa Civil era habitué no plenário da Casa, mantendo o diálogo constante com os deputados.

Por isso, chegar em um momento de crise com uma estratégia pronta e com um discurso pesado para que a Assembleia assimile e encampe o discurso governista e se coloque contra uma reivindicação popular, que pode, inclusive, custar o próximo mandato dos parlamentares, é pedir muito.

Fragmentos:

1 – Em meio à tormenta que tomou conta da Assembleia no início da noite dessa terça, chegou à Casa os homenageados, devidamente caracterizados em trajes típicos, para a sessão solene em homenagem à imigração italiana. Ficaram perdidos no meio de tanta confusão.

2 – Uma preocupação de fotógrafos e artistas presentes na Assembleia nessa terça foi a utilização como barricada da pintura “Ressurreição de Lázaro” de Levino Fanzeres. As pessoas passavam e se debruçavam por cima da obra, o que causou arrepios em quem sabia do que se tratava.

3 – Já a preocupação de alguns seguranças era proteger os objetos pessoas do presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM). Estava tudo separadinho em um canto.

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