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Naufrágio à vista

O enfraquecimento político do governador Paulo Hartung (PMDB), que parece ser algo progressivo, está levando-o a ter que ir às eleições de 2018 dentro do velho e arcaico método do “toma lá e dá cá”. O que seria até normal se ele viesse praticando esse método ao longo do tempo que está no poder. 

 

Muito ao contrário, ele sempre se municiou de poderes truculentos para gerir a vida política do Espírito Santo, por meio dos quais destinava os cargos do legislativo a seu bel prazer, como também reservou para si três mandatos de governador e, no meio do caminho, um para Renato Casagrande (PSB) que, praticamente, partilhou com ele o poder.

 

Além do notório desgaste da longevidade do poder, PH foi atingido, junto com boa parte da classe política deste País, pela operação Lava Jato , o que tirou de sua mão a gurugumba  pelo qual ele regia a classe política do Estado, levando-o à peregrinar com um método que não tem a mesma eficácia do anterior. É justamente nesse ponto que a porca torce o rabo. 

 

Assim ele foi visto assediando o prefeito de Viana, Gilson Daniel, (Podemos), depois de tê-lo espancado politicamente por ocasião da disputa pelo comando da Amunes ao lado da senadora Rose de Freitas (PMDB) e contra o Palácio Anchieta. PH terá êxito em apostar em Gilson Daniel?  É possível que não. E assim sucessivamente em outros casos de assédio que PH tem feito, numa estratégia quase desesperada. 

 

Para quem tinha como prática escalar quem seriam os eleitos para a Assembleia, Câmara e até Senado,  como fez nos últimos 15 anos,  ter agora de ir ao eleitorado é o mais grave, já que dirigia processo eleitoral sentado na cadeira de governador, manejando, à distância, instrumentos de intimidação da classe política.

 

Quem diria que PH estaria como anda hoje, evitando aparecer em público na Grande Vitória, concentrando suas forças no eleitorado do interior, mais condescendente com os homens públicos, para formar , repito, dentro do “toma lá e dá cá”, condições de contornar a resistência natural que terá no eleitorado da região metropolitana,  principalmente na capital, onde os eleitores são mais exigente. 

 

PH virou político igual a outros, em queda livre e incapaz até de escolher para si uma candidatura. Quando ele fala em disputar o governo, ninguém sabe, muito menos ele, se terá chances. Ai lhe sobra o quê, pergunto. Uma candidatura ao senado, como ele acalentou há algum tempo? Jamais. Indicar seu sucessor sentado na cadeira de governador? Quem? Octaciano Neto (Agricultura)?  Júlio Pompeu (Direitos Humanos)? Eugênio Ricas (Controle e Transparência)? Se é que esta é ainda a sua lista? Estes, creio, nenhum tem condição. 

 

Entretanto, o mais bem cotado é o impetuoso Octaciano, mas ele ainda não sabe fazer a devida leitura dos ventos políticos. O Júlio Pompeu trocou a veste de homem de direito humanos de altíssima capacidade para virar “bate-pau” do governador.  Basta ver seu desempenho na crise da PM. Ricas, o delegado federal, é relativamente desconhecido no Estado. Aliás em matéria de Polícia Federal, parece ser atrativo para o governador ter um deles ao seu lado,  já  que ele no momento que dispunha de todos os poderes, fez de um outro delegado federal, Rodney Miranda (atual secretário de Desenvolvimento Urbano), o deputado estadual mais votado do Estado e, em seguida,  o elegeu prefeito de Vila Velha, um dos município mais importantes do Estado.

 

Acabou, PH. Essa coisa de fazer quem quer, acabou. Vai ter de disputar voto a voto. Sorrir para o eleitorado….

 

Nesse infortúnio de PH, ele não está aguentando nem o esbarro que lhe impõe um deputado estadual de primeiro mandato. Sergio Majeski (PSDB)  hoje é seu principal oposicionista, situação esta que o alça à condição de poder disputar até candidatura ao próprio governo do Estado,  como querem os seus companheiros de partido, apesar de o mesmo ter nomes capazes de disputar o governo, como o próprio vice-governador César Colnago e o sempre lembrado pelas suas condições políticas e de gestor Luiz Paulo Vellozo Lucas.

 

Já que toquei em disputa para o governo, vira e mexe vem à tona o nome do ex-governador Renato Casagrande, outro que carrega a nódoa da Lava Jato, o que o enfraquece também para a disputa de 2018. Além disso, ele poderá ser prejudicado pela fragilidade atual de seu partido, o PSB. Renato pode até querer ser o candidato ao governo, mas vai sofrer as consequências desta condição de delatado e do enfraquecimento do PSB.

 

Diante desse quadro, vem a galope a senadora Rose de Freitas, que na busca desse objetivo está praticamente de braços dados com Renato Casagrande. Tem chances? Eu diria que do ponto de vista partidário ela está em um partido que PH ainda exerce grande controle. Rose sairia do PMDB para outro partido?  Eu nem preciso pensar duas vezes para dizer que o campo não é livre para ela. 

 

E o PT? Tem nome?  Sim. O deputado federal Helder Salomão. Como já disse neste espaço, ele é um político que tem uma base eleitoral sólida em Cariacica. É um dos raros políticos dos movimentos sociais e uma importante liderança da Igreja Católica. O que pode impedi-lo é o destino do PT, enrolado até o pescoço na Lava Jato. 
Neste contexto de incertezas, uma coisa posso afirmar: quem está mal das pernas mesmo é PH. 

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