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Ninguém sabe o que se esconde nos corações humanos

Se você está lendo essas mal traçadas linhas quer dizer que adentrou 2026 com muito calor e muitas promessas de renovação. O mês de janeiro honra o deus romano Janus, com duas faces ollhando para o ontem e o amanhã, o bem e o mal, o passado e o futuro: o que acabou e o que começa, avaliação e renovação. Em janeiro, nós também olhamos para o ano que acabou avaliando o que foi bom ou nem tanto, e para o ano que se inicia, o que nos aguarda e no que vamos investir.

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O homenageado do mês é o francês Louis Braille, nascido em quatro de janeiro. Cego aos 15 anos, Braille foi capaz de adaptar um código militar de escrita noturna em um simple alfabeto de pontos em relevo facilmente lido pelo toque. Embora nos dias de hoje existam cerca de 43 milhões de pessoas cegas no mundo, apenas 10%  sabe usar essa leitura que dá independência e condições de trabalho aos que sofrem com essa deficiência. Além do prazer da leitura. Quatro de janeiro é celebrado no mundo todo como o Dia Mundial do Braille.

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Foi também em um mês de janeiro,  provavelmente nebuloso na Londres de 1886, que Robert Louis Stevenson publicou seu drama psicológico, O Estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, mais conhecido entre nós como O Médico e o Monstro, e que até hoje nos assusta, apesar de ter completado 139 anos. Há algo de comum entre esse thriller e o deus Janus que honra o primeiro mês do ano: dualidade, o conflito entre o bem e o mal. Ou, como dizia O Sombra, antigo personagem dos quadrinhos: Ninguém sabe o que se esconde nos corações humanos.

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Quem de nós, tal como o deus duplo, não tem também duas faces opostas? Ou três, ou muitas? Somos um no convívio do lar e da família, somos outro no trabalho, onde mandamos ou obedecemos de acordo com o rolar dos dados. Na vida social, seja bom entre os bons, diria Confúcio se tivesse conhecido Janus. Seja humilde entre os humildes, e não serás um deles. Seja arrogante entre os dominantes, e serás um deles: Mr. Hyde versus Dr. Jekyll. Qual das minhas faces mostrarei hoje?

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Janeiro é o mês das listas, e não poderiam faltar muitas listas dos melhores livros publicados. Corajosas, haja vista a quantidade de livros rolando pelas livrarias do mundo todo, desde que o livro livro surgiu, há cinco mil anos.  Qualquer lista, por mais elaborada que seja, vai pecar pela falta ou excesso. Mas todas  incluem obras de Shakespeare, Tolstoi, Dostoievski, Victor Hugo… Ah, são tantos!

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As listas trazem poucos modernos – só os antigos eram bons? Em todas as listas podemos encontrar a Ilíada, onde Homero nos deu personagens inesquecíveis como Páris e Helena; a Odisséia, quando o herói volta pra casa onde a persistente Penélope tece uma infindável manta que desmancha durante a noite. Dom Quixote de La Mancha, por muitos considerado o melhor romance de todos os tempos. Proust, Em Busca do Tempo Perdido – como se fosse possível reencontrá-lo! Não vi Machado de Assis em nenhuma das listas visitadas.

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Mas encontro Camões bem representado: “A mais bela epopeia do século XVI, rica em história e mitologia…” Os navegadores não sofrem apenas com as agruras das viagens, mas também com as perseguições dos deuses invejosos da heróica empreitada lusitana. Na minha opinião, Os Lusíadas narra uma história de amor mais bonita e mais trágica que Romeu e Julieta, Tristão e Isolda,  e tantas outras. E verídica!

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