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No café da manhã

Quando a gente respira fundo e acha que nada mais vai nos surpreender… pois sim! A venda do cereal nos Estados Unidos está caindo! A notícia pode parecer irrelevante. Afinal, o que temos nós a ver com isso? Mas o fato indica profundas mudanças sociais, culturais e econômicas no país e talvez no mundo. Imagina se você abre o jornal pela manhã e depara com a notícia de que a venda do pãozinho francês está caindo? Não, impossível!
 
O pão nosso de cada dia é imprescindível na mesa da população brasileira porque é bom, barato, e já vem pronto. Uma queda nas vendas ocorreria porque ficamos mais pobres ou, ao contrário, porque o nível de vida subiu e podemos comer brioches. Qualquer desses eventos indicaria  uma profunda alteração na situação social do país. O alimento imprescindível na mesa matinal americana é o cereal, por ser bom, barato, e rápido de preparar… Ou era.
 
A maior fabricante de cereais do mundo, a Kellogg's, chora uma queda nas vendas de  4% no último trimestre, e 2% em 2013.  “Estamos perdendo consumidores para outras categorias, como ovos (mexidos) e  torradas com manteiga de amendoim. Não estamos perdendo consumidores para outras marcas de cereais”, garantem eles.  Outro fabricante diz que está havendo uma “migração inconsciente” – as pessoas comem menos cereal sem perceber a mudança. Outro ainda afirma que 50% da população nada come pela manhã.
 
Quando o consumo da população é afetado, todos correm para analisar os motivos e apontar os culpados. Suspeito número um: doeu no bolso! O  preço do produto nos últimos anos subiu em proporção inversa ao conteúdo das caixas, ou seja, paga-se mais caro por menos cereal. Uma caixa está custando de 10 a 13 reais – e dura de três a quatro dias. Isso para uma pessoa, imagina uma família de quatro pessoas, cada com sua marca predileta. E ainda precisa do leite. Uma caixa de aveia custa menos de 5 reais e alimenta a família inteira por uma semana.
 
Mas aí entra o trabalho de fazer o mingau e depois lavar e guardar o vasilhame usado, o que nos leva ao culpado número dois: sem tempo pra nada! O americano tem apenas 12 minutos para o breakfast, ou desjejum. Pegar no armário a tigela e a caixa de cereal, pôr a quantidade desejada, pegar o leite na geladeira e jogar em cima, pegar a colher na gaveta… comer correndo, guardar leite e cereal,  lavar e guardar a tigela e a colher… tempo esgotado!
 
Terceiro suspeito: a transição demográfica! A imigração continua aumentando e os latinos/hispanos têm mais filhos, enquanto a família americana encolhe. E pela manhã nós preferimos pão com queijo, leite com café ou chocolate.  Muda a face da América e mudam seus hábitos mais arraigados. Mas há quem ache também que a queda do cereal se deve a melhores opções… O que nos leva ao quarto suspeito: comer melhor para viver mais.  
 
Os americanos estão mudando seus hábitos alimentares. Os pais se preocupam com o excesso de açúcar dos cereais, e as tentativas dos fabricantes de oferecer produtos com grãos integrais e menos açucarados não estão agradando. Já a turma jovem prefere alimentos com baixos teores de açúcar, gordura e carboidratos, e mais fáceis de consumir. O que nos leva ao quinto suspeito: a concorrência voraz! Barrinhas de cereal, leia-se proteínas, são mais apropriadas para a idade da saúde e da pressa – leva no bolso ou na bolsa, come em qualquer lugar.
 
E o iogurte grego, incrementado com castanhas. Para os mais famintos, uma passada no Starbucks para o café e algum complemento sólido leva dez minutos para pegar e pagar – vai comer no escritório. Nos dias de hoje, poucos podem se dar ao luxo de sentar para o café da manhã antes de deixar os filhos no colégio e correr para o trabalho. As opções mais baratas, rápidas e saudáveis estão desbancando a tradicional – e cara – tigela de cereal.

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