Esta semana, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública-Datafolha divulgou uma pesquisa previsível, mas ao mesmo tempo alarmante sobre os crimes contra a vida. De acordo com o levantamento, que ouviu 2.065 pessoas em todo o País, 35% dos entrevistados disseram conhecer casos de alguém próximo (parente ou amigo) que tenha sido vítima de homicídio ou latrocínio (assalto seguido de morte), ou seja, ou seja, um em três brasileiros conhece alguém que sofreu esses tipos de crime.
Como a pesquisa não apresentou os dados por Estado (apenas regionais), não dá para saber se essa média pode ser ainda maior no Espírito Santo. Se considerarmos os números da violência contabilizados até março deste ano – a Secretaria de Segurança Pública ainda não divulgou os dados de abril -, dá para estimar que a realidade do Espírito Santo pode ser ainda bem mais grave por causa dos últimos acontecimentos.
Nos três primeiros meses do ano, 456 pessoas foram assassinadas no Estado. O que representa uma média de 152 mortes por mês e projeta uma taxa anual de 46 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes – índice de guerra civil.
A percepção do cidadão, porém, continua sendo mais significativa que qualquer pesquisa. Ele tem indicado que a violência voltou a ser uma preocupação central da sociedade. A violência que engolfa os capixabas alcançou seu ápice durante os 22 dias de paralisação da Polícia Militar, em fevereiro, com mais de 200 assassinatos registrados no período. A greve da PM acabou já faz quase três meses, mas a segurança continua de cabeça para baixo.
Reportagem de A Gazeta (10/05/17) revela que o Estado segue entregue ao deus-dará. No bairro Campo Grande, em Cariacica, a saída que os moradores encontraram para tentar se defender da bandidagem foi a fixação de cartazes nos postes, alertando sobre os riscos de assaltos praticados por motoqueiros. “Cuidado, zona de assaltos. Motoqueiro agindo principalmente a partir das 6h da manhã”.
A solução desesperada dos moradores revela a falência do Estado. A população, já resignada com a inépcia do Poder Público, cria seus próprios mecanismos de sobrevivência. O alerta serve para evitar que os moradores mais distraídos sejam surpreendidos pelos criminosos. As dicas incluem, andar com “celular fake”, especialmente para entregar para o ladrão, e andar com quantias módicas de dinheiro no bolso. Relógios, assessorias e jóias à mostra, nem pensar.
Outras zonas vulneráveis ao crime na Grande Vitória ainda não adotaram as placas, mas o boca a boca transmite exatamente a mesma sensação de pânico. Nos pontos de ônibus, o tema que domina as rodas de conversa nos minutos de aflição que antecedem a espera sem fim pelo coletivo é só um: violência. Os usuários relatam os últimos crimes ocorridos, destacando a ousadia dos bandidos; a infelicidade de uma vítima fatal que reagiu a um assalto. Relatos que aumentam ainda mais a tensão de quem já vive na expectativa de se tornar a próxima vítima.
Aliás, se a pesquisa do Fórum de Segurança Pública perguntasse aos entrevistados quem conhece ou já foi vítima de assalto, com toda a certeza o resultado seria ainda mais impressionante: dá para arriscar que dez em cada dez pessoas no Espírito Santo já sofreram ou conhecem alguém que foi vítima de assalto.
Solução como a improvisada em Cariacica confirma que o cidadão que depende de cartazes fixados em postes para se defender da violência está abandonada pelo Estado, no olho do furação, entregue à própria sorte.

