
O senador Ricardo Ferraço (PSDB), relator da Reforma Trabalhista da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), já conjuga nos bastidores com seus pares a hipótese de o governo sair derrotado na próxima semana, quando a proposta poderá ser discutida no seu mérito. No discurso, porém, ele tenta separar o presidente Michel Temer da reforma, uma tarefa, digamos, inglória. Da boca pra fora, ele se esforça para manter firme nas suas convicções. Já avisou aos colegas da oposição, especialmente aos petistas, que não vai tolerar patrulhamento, sobretudo daqueles que “mergulharam o País nessa crise econômica com elevados reflexos sociais”. Ao aceitar a relatoria, que poderia render uma bela vitrine política, o senador, literalmente, entrou no olho do furacão. Entre xingamentos e sopapos registrados nas sessões do Senado esta semana, o senador vai tentando sobreviver como pode para tirar leite de pedra de uma reforma que está fadada a afundar junto com uma iminente saída de Temer. O placar da votação da leitura da Reforma Trabalhista na CAE, aprovada num apertado 11 X 9, joga mais pressão para cima do senador tucano. Os protestos dessa quarta-feira (24) em Brasília, então, nem se fala. Ferraço logo recorreu às redes sociais para atribuir ao PT o ato que reuniu 35 mil pessoas, minimizando o pleito pelas Diretas Já e contra a Reforma Trabalhista, a qual defende com unhas e dentes. O que esse desgaste, somado à sua citação recente nas delações de Odebrecht, significará para a imagem de Ferraço até a eleição de 2018, é a pergunta que não quer calar.
Juntos e misturados?
Por enquanto, o que dá para constatar é que o discurso de Ferraço não está mais tão casado com o aliado que era sua dupla inseparável, Magno Malta (PR). Os dois vinham construindo candidaturas conjuntas à reeleição, mas houve um afastamento estratégico por conta das delações da Odebrecht. Agora, ora estão no mesmo tom, ora não.
Nem tanto
Sobre os protestos dessa quarta, por exemplo, enquanto Ferraço minimizou as reivindicações, Magno fez pronunciamento no Senado afirmando que essas não significaram um pedido de volta de Dilma ou do PT, e sim da saída de Temer e da rejeição às reformas Trabalhista, de Temer e Ferraço, e da Previdenciária. Magno também é a favor das reformas, mas, pelo visto, não pretende colocar a cara na reta.
Cruz e espada
Já a senadora Rose de Freitas (PMDB) está numa sinuca de bico. Do mesmo partido de Temer e ex-líder do Governo no Congresso, concedeu uma entrevista ao jornal A Gazeta nesta quinta-feira (25) tipo “amanhã eu vou lá hoje”. Ela diz que o presidente “cometeu erros”, admite que a defesa do presidente não convenceu, mas se concentrou no “erro” do encontro com o empresário Joesley Batista – dono da JBS -, e não no escândalo revelado nas gravações.
Vai que cola…
O deputado federal Evair de Melo (PV) tentou puxar para o seu lado a sardinha do programa de instalação de antenas de telefonia móvel rural anunciado pela Secretaria de Estado de Agricultura (Seag) nessa quarta-feira (24). Ele avisa que é autor, na Câmara, de projeto semelhante. Filho bonito, todo mundo quer.
Abrigo
O ex-prefeito de Presidente Kennedy, Reginaldo Quinta (PMDB), arrumou uma acomodação no gabinete do deputado estadual Hudson Leal (PTN). Cargo de técnico júnior, com salário de pouco mais de R$ 4 mil, como informa ato publicado no Diário do Legislativo.
Retorno
Reginaldo Quinta, aliás, estava meio sumido desde que foi derrotado pela sobrinha que ele mesmo alçou ao poder, Amanda Quinta (PSDB), prefeita reeleita. Agora, vai circular pela Assembleia.
Salve-se quem puder
Se até a mulher do secretário de Segurança de Vitória, Fronzio Calheira Mota, quer sair do País e terminar de cuidas dos filhos “num lugar que seja possível”…precisa dizer mais nada, né? Ela sofreu um sequestro-relâmpago em Bento Ferreira.
Vitrine
O prefeito de Colatina, Sérgio Meneguelli (PMDB), jáa tem uma TV para chamar de sua. A TV Colatina, transmitida pelo canal 14 da RCA, já está no ar, mas a inaguração oficial será em julho.
Nas redes
“Se o Brasil fosse desenvolvido a maioria de nossas lideranças políticas não teria a mínima chance de sobreviver. Exploram a miséria e se aproveitam da falta de conhecimento e simplicidade de muitos”. (Prefeito de Baixo Guandu, Neto Barros – PCdoB – no Facebook).
PENSAMENTO:
“O homem torto não pode pensar reto”. Khalil Gibran
(Colaborou José Rabelo)

