Que a briga política no município da Serra há duas décadas protagonizadas pelos ex-aliados Audifax Barcelos e Sérgio Vidigal se estabelece não apenas nos períodos eleitorais todo mundo sabe. Mas até quando os dois se veem às voltas com as questões partidárias, o mercado político local se agita. Ambos estão em momentos delicados no que diz respeito aos seus respectivos partidos e ao processo eleitoral de 2018, sempre olhando para o lado e vigiando a movimentação um do outro.
Audifax Barcelos, assim que venceu a eleição no município, começou a ser pressionado pela nacional da Rede para erguer um palanque para Marina Silva no Estado. Para isso, teria que abrir mão da maior prefeitura do Estado e se lançar em uma aventura estadual, encabeçando uma chapa ao governo do Estado. Tudo que seu adversário gostaria para tentar desconstruir a imagem do prefeito.
Sérgio Vidigal, soberano no PDT há 14 anos, vê sua hegemonia ameaçada com a possibilidade de haver uma disputa encabeçada pelo deputado estadual Josias Da Vitória. Se haverá disputa ou não, já não importa, o momento contrário, aliado a uma corrida de desfiliação de lideranças do partido já causa um grande mal-estar interno.
Tanto os movimentos de Audifax quanto de Vidigal levam em consideração a disputa local, que já se transformou em obsessão há muito tempo para ambos. O prefeito está em seu segundo mandato e tem o desafio de construir quadros em um partido novo e pequeno no Estado e fazê-lo crescer. Tudo isso sem arriscar sua imagem no município, algo difícil para quem continua sendo a única grande liderança do partido no Estado.
Vidigal comanda um dos maiores e mais importantes partidos do Estado. Em 2016 abriu mão do comando para se dedicar de corpo e alma à disputa da Serra e acabou acumulando a segunda derrota consecutiva no município. Enquanto isso, Da Vitória assumiu o controle e o comando do PDT em uma disputa da qual saiu-se muito bem. Ou seja, deixou transparecer que o que faz o PDT grande não é Vidigal e que existe vida partidária para além de sua figura.
A contraditória briga de bastidores vem sendo acompanhada pelos eleitores e para as lideranças que se posicionaram em uma espécie de fila sucessória na Serra. Como as duas lideranças vão sair desse processo vai definir também sua briga particular no município.
Fragmentos:
1 – Novamente o governador Paulo Hartung é citado como exemplo por lideranças de fora do Estado. Desta vez foi o empresário Romeo Zema (Partido Novo) quem citou o governador em entrevista ao jornal O Estado de Minas. Fácil falar para quem está de fora e é empresário.
2 – “Gosto muito do governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), que faz um ótimo trabalho na questão fiscal. Basta olhar as contas do nosso vizinho e ver os investimentos”, disse o candidato neófito ao governo de Minas.
3 – A chuva começa a preocupar os prefeitos Estado afora. Com as enxurradas provocadas pelo período de chuvas e a paciência do eleitor no limite, a popularidade dos chefes dos executivos municipais pode ir por água abaixo.

