A estratégia do governador Paulo Hartung (PMDB) para 2016 é interpretada pelos meios políticos como um processo de agrupamento de aliados para formar uma base forte e novamente tentar blindar seu governo, que neste início de ano vem sofrendo com muitas críticas da classe política e da sociedade.
O governador, ao que parece, já conseguiu reagrupar uma importante força política para evitar desgastes à sua imagem. Parte da imprensa já aderiu ao seu governo, deixando de lado os conflitos que se estabelecem no início do terceiro mandato de Hartung e fechando as portas para o ex-governador Renato Casagrande (PSB).
Os números das pesquisas servem para dispor as peças no tabuleiro eleitoral do próximo ano, criando uma sensação de “já ganhou” para os nomes de confiança do Palácio Anchieta. Isso força os atuais prefeitos a evitarem cobranças, para tentarem também conseguir o apoio do governador.
Evidentemente, com Renato Casagrande exercendo seu direito de espernear, não se pode dizer que Hartung tenta reunir a unanimidade. Ele busca o maior número possível de aliados para blindar seu governo, reconstruir uma imagem de excelência na gestão, sem ter de criar políticas públicas de atendimento à população.
A política de cortes não será uma coisa passageira. É a forma de governar de Hartung, com o Estado mínimo, sem gerar gastos permanentes. E como ninguém cobra, ninguém critica, fica por isso mesmo. Se alguém questiona, qualquer coisa é demonizado.
Estratégia maniqueísta que funcionou perfeitamente com o discurso do combate ao crime organizado, no passado, mas que hoje não funciona mais. Recolocando as lideranças na mesa e rateando as prefeituras, ele apazigua as forças e cria uma cortina de ferro em torno de sua imagem. O problema é saber quem confia nos números das pesquisas, que tantas vezes criaram situações artificiais e que não se confirmaram nas urnas.

