Nos últimos dias, o governador Paulo Hartung tem intensificado suas agendas externas, seja na Grande Vitória, com visitas técnicas e participação em eventos empresariais, seja no interior, fazendo entregas para alegria da prefeitada. Uma movimentação que causou comentários nos meios políticos, já que o governador havia saído de cena deste o início da crise que se irrompeu de fevereiro para cá.
A sequência de episódios desgastantes como a paralisação da Polícia Militar, denúncia de recebimento de “caixa 2” da Odebrecht, ausência na prestação de contas na Assembleia e viagem às escondidas a Paris, desgastou a imagem de Hartung, que passou a evitar a exposição pública, sacando o simpático vice-governador César Colnago (PSDB) para tarefas espinhosas.
Diante da constatação inevitável de que seu projeto nacional estava prejudicado, Hartung iniciou uma série de movimentações mirando a disputa ao governo do Estado, para um incerto quarto mandato. Vem tentando limpar o campo político, enfraquecendo grupos que poderiam se unir a supostos opositores, enquanto começa a se aproximar do eleitorado no sentido de aumentar sua capilaridade.
Mas, quando menos se espera, uma nova bomba explode atingindo em cheio a imagem do governador, que sempre pregou a moralidade na política. A coluna de Lauro Jardim (O Globo, 21/0717), vazando o depoimento que o governador prestou a Policia Federal no primeiro semestre deste ano, pode não dar em nada, mas do ponto de vista político, é mais um arranhão na vitrine de Hartung, que até o início deste ano era ilibada.
Não se sabe até que ponto as denúncias vão avançar, se Hartung será investigado – até aqui só há uma petição no Superior Tribunal de Justiça – no caso Odebrecht. O fato é que há uma situação a ser explicada. E se no meio político Hartung dificilmente será cobrado pelos seus opositores, na população o sentimento trazido em todos os desdobramentos da Operação Lava Jato podem prejudicar muito a movimentação do governador, até porque o próprio cargo o expõe mais do que qualquer outra liderança.
Todo esse cenário impõe uma escolha difícil ao governador. Ele precisa de um cargo, já que, embora negue qualquer problema com a Justiça, não se sabe onde as apurações podem chegar e neste caso é melhor um foro privilegiado. E se disputar a eleição ao governo do Estado, com a imagem arranhada pode não ter o desempenho que espera. O que pode ser pior para um governador que até bem pouco tempo pregava a moralidade como exemplo de conduta e exibia um poder sobre o Espírito Santo a ser “exportado” para o País?
Fragmentos:
1 – Com senha de acesso ao Palácio do Planalto a senadora Rose de Freitas (PMDB) tenta se aproximar dos prefeitos da Grande Vitória. Mas se isso se transformará em apoio a uma eventual candidatura da peemedebista ao governo em 2018, só o tempo dirá. A ausência do prefeito de Cariacica, Geraldo Luzia, o Juninho (PPS), no encontro com a senadora nessa terça-feira (18), porém, é sintomática.
2 – Após o recesso parlamentar, o governo do Estado deve enviar à Assembleia um projeto de Lei que modifica a divisão do ICMS nos municípios do Estado, colocando como critério para a partilha do recurso, a prioridade na Educação. É prenúncio de muitas críticas do deputado Sergio Majeski (PSDB) sobre a política educacional do governador Paulo Hartung.
3 – O governador Paulo Hartung criticou o País ao aumento de impostos, ainda usando o Espírito Santo como exemplo para o País, com uma sucessão de frases que já virara mantra em sua gestão: “é o avesso do avesso”, “não fez o dever de casa”, “não fez o que deveria ter feito”, “estamos focados na redução do custeio”.

