Acompanhar as sessões da Assembleia e os desdobramentos nos bastidores da Casa tem mostrado como a mudança do centro de poder no Estado mexeu com a classe política. Na Assembleia, a saída de Theodorico Ferraço (DEM) da presidência da Casa trouxe um novo grupo ao comando do Legislativo e uma nova interlocução como governo do Estado.
Está claro que hoje o plenário da Assembleia extrapolou o limite do alinhamento político, já conhecido da Casa. Depois da movimentação da reunião do último dia 7, os deputados entenderam que o governo não vai dar espaço para qualquer tipo de ingerência em sua forma de atuação para dentro e para fora da Assembleia.
O que se tem hoje é uma maioria que não concebe a ideia de questionar o governo de forma alguma. A submissão do plenário foi obtida com uma demonstração de força muito grande do governo do Estado. Se antes o governo escolhia quem ocuparia quais os cargos, agora a coisa é muito mais imposta.
Primeiro na escolha de algumas peças-chaves em cargos fundamentais na Assembleia. A divisão das comissões permanentes da Casa deixou isso bem claro. Quem ousou desafiar o governo, como o deputado Da Vitória (PDT), que tentou exercer seu papel legislativo, ficou sem nada. Sem nada também ficou Sergio Majeski (PSDB), mas isso já era esperado.
O deputado Amaro Neto (SD), que presidiu o blocão, mostrou que hoje sua lealdade ao governo é canina no que diz respeito às movimentações da Casa. Os deputados que incomodam o governo ficaram sem nada. Ordem dada é ordem cumprida.
É interessante que hoje, os agentes políticos que sempre participaram dos movimentos palacianos serem excluídos das articulações, desprestigiados pelo Palácio Anchieta. Ficou mais claro ainda como o governo do Estado vai agir com a Assembleia, do mesmo jeito que age com os movimentos sociais, sem dar ouvidos, sendo inflexível e impondo seu discurso maniqueísta.
Fragmentos:
1 – O prefeito de Vila Velha, Max Filho (PSDB) tem enfrentado um problema sério no município. A proliferação de mosquitos na cidade politicamente pode trazer prejuízos sérios para o prefeito. A prefeitura espalhou armadilhas para saber quais bairros têm mais infestações. A ação tem de ser rápida.
2 – João Coser, do PT, tirou foto passando o bastão da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, a Rodney Miranda, do DEM, na equipe de Hartung. Mostra bem o que é o governo Paulo Hartung, pura harmonia entre forças antagônicas nacionalmente.
3 – Participaram da agenda o secretário-chefe da Casa Civil, José Carlos da Fonseca Júnior, o novo secretário-chefe de gabinete, Paulo Roberto, a subsecretária de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social, Clarissa Imperial.

