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Nova postura

Diante da derrota de Dilma Rousseff no segundo turno das eleições no Espírito Santo, o PT capixaba tem um desafio a cumprir. O partido precisa desconstruir a imagem criada pelos governantes locais nos últimos 12 anos de que o governo do PT isolou o Espírito Santo. Mas o problema é saber quem vai liderar esse movimento. 
 
É difícil imaginar que o presidente regional do partido, João Coser, venha a capitanear essa tarefa, dada a sua ligação com o governador Paulo Hartung (PMDB), que em entrevista após a eleição desse domingo (26), voltou a repetir a mesma ladainha de que o governo central não dá a contrapartida que o Estado precisa. 
 
Isso não é verdade. As agendas é que são diferentes. Desde a ascensão de Lula à Presidência da República, os recursos vêm chegando ao Estado, sim. A antecipação dos royalties do petróleo, que cobriu a folha do funcionalismo estadual nos primeiros meses do governo Hartung, em 2003; as ações do governo federal na área social; e a ajuda no período das chuvas não podem ser ignoradas. O problema é que o governo do Estado quer recursos para ferrovias, estradas, portos e aeroportos. Recursos que carecem de projetos muito bem estruturados. 
 
Basta lembrar que o BRT não tinha sequer projeto básico e a ladainha de que o governo federal não queria dar o dinheiro se alastrou na classe política. Recursos no BNDES para o Estado existem, basta ter disposição para buscá-los. Mas não adianta bater na porta do governo federal de mãos abanando, achando que é só fazer cara de coitadinho. 
 
Como bem assinalou o ex-subsecretário de Direitos Humanos, Perly Cipriano, no jornal A Tribuna desta terça-feira (28), o que falta é interlocução com Brasília. A bancada gosta muito de criticar e chorar, mas não mostrou capacidade de buscar os recursos, muito por falta de conhecimento da tarefa assumida e, também, por interesses outros. 
 
Querer pressionar Dilma com o resultado da eleição no Estado é um caminho muito errado, que pode complicar qualquer possibilidade de aproximação. Com a eleição de Rose de Freitas (PMDB) para o Senado, que tem boa interlocução em Brasília, a situação pode ter um fio de esperança de melhorar. Mas Rose é municipalista e se dedica apenas a conquistar os recursos para os municípios. 
 
Se a bancada se unir e souber usar do conhecimento de Rose sobre os caminhos que os recursos tomam em Brasília, o Estado pode se beneficiar. O problema é que a bancada capixaba, além de ser pequena e fragilizada, não fala uma língua única. Aí seria o papel do governador em conversar e orientar os parlamentares no sentido de buscar os recursos que interessam ao Estado. 
 
É estranho pensar que para isso Hartung dependeria de Rose Freitas como interlocutora. A relação entre os dois nunca foi das melhores e ficou mais tensa durante boa parte da campanha eleitoral. A vitória de Rose pode ter apaziguado as coisas com o governador eleito. Se isso aconteceu, o Estado tem chances de ganhar espaço em Brasília. Mas resta saber se o governador vai querer dar espaço para que Rose possa crescer politicamente. Enquanto ela cuida de seus prefeitos, não incomoda tanto o jogo político de Hartung. 
 
Fragmentos:
 
1 – Começa a circular nas redes sociais um movimento defendendo um impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) com a participação de capixabas. O abaixo-assinado está no site da Avaaz e tem mais de um milhão de assinaturas até o momento.
 
2 – É o fim da picada. Depois de perder nas urnas, a estratégia é tentar vencer no tapetão. Isso mostra o quão jovem e imatura é nossa democracia e explica por que o voto não pode deixar de ser obrigatório no País, ainda. 
 
3 – O caminho para se mudar a lógica das eleições é buscar a reforma política. Será preciso pressão popular, sim. Mas em vez de dividir o Brasil, a hora é de se unir, para lutar por um processo eleitoral mais justo.

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