Quando o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) anunciou em 2010, que seu candidato ao governo não seria mais o seu então vice, Ricardo Ferraço e, sim, o senador Renato Casagrande (PSB), foi como se uma bomba houvesse sido lançada em terras capixabas. Naquele momento se falava em defesa da unidade, que havia sido fundamental para a reconstrução do Estado.
Uma pessoa desse grupo, porém, não concordava. Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) chamou de “bonapartista” aquele arranjo que tentava demovê-lo da candidatura ao governo do Estado em nome da manutenção da união de forças. É verdade que na campanha o tom de Luiz Paulo foi bem mais ameno que no período pré-eleitoral, mas o tucano foi criticado por se “desalinhar” do grupo.
Hoje, as críticas ao grupo que quer manter a unanimidade vem da mesma direção de quem criticava a atitude de Luiz Paulo. De repente, unanimidade não é mais importante e agora é preciso defender a democracia. Mas que democracia é essa que se estabelece em uma disputa de dois palanques, com figuras já conhecidas e que defendem o mesmo projeto político? Isso é balela.
O que se verá no Estado são duas lideranças políticas travando uma batalha pelo controle da classe política e do governo do Estado. Uma disputa de poder e que se dá muito antes de o processo eleitoral ter início. Os dois lados se atacam de forma indireta, medem forças, utilizam ferramentas de mobilização e desmobilização, criam cenários artificiais.
A impressão que se tem nessa disputa é que não há mais espaço para ninguém, muito menos para se discutir um novo modelo de governo. Ninguém até agora se dispôs a discutir o ES-2030. Acabada a eleição, a classe política vai tentar se reunir em torno do vencedor. É claro que as traições deste período não serão perdoadas lá na frente. Por isso, a aposta tem de ser certeira.
Hartung usou suas armas primeiro, criando uma impressão de grande musculatura política. Isso dividiu as lideranças e abalou a unanimidade. Agora, Casagrande é quem contra-ataca com demostração de força política, dado o volume de apoios que vem recebendo. Hartung, porém, equilibra o jogo buscando apoio de partidos fortes em nível nacional, como o PSDB.
No meio dessa disputa, a classe política vai se acostumando a ter apenas um lado, como ocorreu na última década. Enquanto isso, o tempo passa e se aproximam as convenções. Será preciso fazer uma escolha, sabendo que sempre haverá consequências, independentemente do lado escolhido.
Fragmentos:
1 – Magno Malta (PR) pretende cozinhar até julho sua definição sobre o caminho que seguirá eleitoralmente este ano. Até lá, todas as águas que deveriam passar em baixo de todas as pontes já terão passado.
2 – PT, PSDB e PDT são agora o centro das atenções do mercado político. A acomodação dos partidos pode garantir a sobrevivência de alguns deles e definir a eleição em um pleito polarizado.
3 – Parte da imprensa que sempre defendeu a unanimidade, agora começa a atacá-la. Unanimidade nunca é bom, independentemente de quem esteja no comando.

