Diversos projetos de lei e emendas constitucionais que alteram regras eleitorais estão prontos para entrar na pauta de votação do Senado. Paralelamente, ganha foco a discussão da reforma política. Os efeitos desse debate poderá ser sentido já em 2016. Mas quando os congressistas esbarrarem em questões polêmicas, vão lidar com elas da forma que a sociedade espera?
Entre os itens da pauta, estão temas relativos ao financiamento de campanha. A situação atual chegou a um ponto insustentável. O recurso vindo da iniciativa privada, evidentemente coloca o parlamentar em qualquer nível a serviço do financiador.
Um exemplo mais recente disso vem da Assembleia Legislativa do Espírito Santo. Em meio ao debate sobre a poluição atmosférica da Grande Vitória, uma manobra política foi elaborada com o lobby das indústrias poluidoras para evitar que um deputado interessado em investigar a situação integrasse a CPI do Pó Preto, que nasce desacreditada sobre suas intenções.
A antiga Aracruz Celulose (hoje Fíbria) também tinha um pelotão de defesa na Assembleia. O financiamento da empresa já foi até ferramenta para esvaziar a candidatura de uma deputada a presidência da Casa, a ex-deputada Mariazinha Vellozo Lucas. Na base da pressão, os deputados que a apoiavam retiraram o apoio à candidatura da tucana.
É ingenuidade acreditar que a restrição ao financiamento de campanha privado vai resolver o problema da corrupção ou do privilégio às elites econômicas. Em um Estado cujo aglomerado de empresas ajuda a elaborar o projeto de governo, é difícil acredita que as eleições não terão a influência econômica.
Mas é um passo para que as coisas comecem a mudar. É preciso, porém, que a sociedade fique atenta ao interesse da classe política nficassa configuração das regras eleitorais. A pressão popular ajuda a delimitar o espaço de atuação dos parlamentares e aos poucos a democracia pode ir melhorando. Mas à revelia da população é difícil acreditar que a classe política vá mesmo cortar na própria carne.
Fragmentos:
1 – A partir desta segunda-feira (23), gestores municipais se reúnem em Vitória para trocarem informações e experiências sobre o combate ao crack. O encontro vai até a quarta-feira (25), na Escola Técnica de Saúde (ETSUS), na Ilha de Santa Maria.
2 – Aos poucos o discurso de que há várias fontes de emissão da poluição atmosférica vai sendo introduzido. A ideia é tirar a responsabilidade das empresas poluidoras.
3 – Waguinho Ito (PPS) assumiu na manhã desta sexta-feira (20) pela quinta vez a Prefeitura de Vitória. Fica no cargo até 2 de março, quando o prefeito Luciano Rezende (PPS) retorna de uma viagem à Europa.

