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Novo cenário

A crise na segurança pública do Estado mexeu profundamente com o olhar da população para o cenário político de 2018. A crise não acabou e ainda é cedo para falar sobre vencidos e vitoriosos, mas é possível observar que algumas imagens foram desconstruídas e a disputas pelos espaços pode sofrer um profundo rearranjo, dependendo dos próximos passos das lideranças do Estado.

O principal alvo de toda a crise é sem dúvida o governador Paulo Hartung (PMDB). Com os ânimos quentes, já tem gente pedindo a cabeça do governador nas redes sociais. Uma movimentação que deve perder fôlego assim que a crise for realmente debelada. Mas o capital político dele não será mais o mesmo nem no Espírito Santo, muito menos em nível nacional, como parecia ser seu projeto futuro.

Se parte da imprensa entrou de cabeça em seu discurso de austeridade, outra parte cobrou a responsabilidade social. As imagens do caos social desconstruíram a ideia de Espírito Santo como modelo para o Brasil. Hartung pode até recuperar sua imagem, mas vai ter dificuldade em convencer a todos, como fazia antes da crise.

Se Hartung pecou pela ação, o ex-governador Renato Casagrande (PSB) pecou pela omissão. Esperava-se do socialista uma postura mais agressiva em relação à crise, mas ele preferiu fazer declarações bem sutis, o que também contribuiu para a diminuição de seu capital. Não se sabe o que Casagrande vai disputar em 2018. Há quem diga que ele não está muito disposto a disputar o governo do Estado – o que seria um risco grande para Hartung -, deixando o caminho livre para as demais lideranças políticas do Estado.

Se antes mesmo de toda essa crise já tinham prefeitos e outras lideranças mirando o Palácio Anchieta, com a possibilidade de saída dessa disputa dos dois principais atores políticos do processo, o caminho fica livre para a concorrência. Quem tem que abrir o olho são os dois senadores que disputam suas vagas em 2018, Ricardo Ferraço (PSDB) e Magno Malta (PR), porque pode ser aí o caminho de Hartung e Casagrande.

Para algumas lideranças, se continuar com esse passo, Casagrande pode ter de se contentar com a disputa de deputado federal. Quanto a Hartung, o terceiro mandato foi um risco, e ele perdeu a chance de sair do baixo clero no Senado. Seria melhor pendurar as chuteiras.

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