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Novo projeto para o ES

O governo tem que ficar do lado do trabalhador

Por José Carlos Pigatti

O Espírito Santo é rico em recursos naturais, em capacidade produtiva e, sobretudo, em gente trabalhadora. Mas uma parte significativa da população segue enfrentando desemprego, renda insuficiente e insegurança social. Essa contradição não é fruto do acaso. É resultado de escolhas políticas e definições de prioridades feitas ao longo do tempo.

A riqueza sai do nosso chão, mar e trabalho diário do nosso povo e não retorna para a maioria em forma de salário digno, oportunidades ou qualidade de vida. É preciso coragem e determinação política para reconhecer essa realidade sentida nas periferias urbanas, no interior do Estado, no campo, nos portos, nas fábricas e no comércio.

É diante desse cenário que o povo precisa de um novo projeto para o Espírito Santo, baseado em quatro pilares essenciais: trabalho digno, renda justa, direitos garantidos e justiça social.

O povo precisa de trabalho digno, renda justa e com direitos garantidos. O trabalho é o ponto central em nossa sociedade, e não há desenvolvimento sem trabalho de qualidade e com renda justa. O compromisso central de todo governo deve ser com a geração de trabalho formal, com carteira assinada, direitos respeitados e salários justos.

O nosso Estado precisa assumir um papel ativo, investindo em obras públicas, habitação, saneamento, mobilidade urbana, estradas e infraestruturas no interior, capazes de gerar emprego imediato e benefícios duradouros para a sociedade.

É necessário que nossos dirigentes reafirmem um princípio básico: dinheiro público deve servir ao interesse público. Incentivos e investimentos do Estado devem ser direcionados apenas a empreendedores que gerem emprego local e respeitem os trabalhadores.

O desenvolvimento deve ser para quem produz. O Espírito Santo não pode continuar sendo apenas exportador de riquezas. É preciso agregar valor à nossa produção, fortalecer a indústria capixaba, apoiar o pequeno e médio produtor, o comércio local, a agricultura familiar, a produção de alimentos, desenvolver com investimentos e apoio a indústria limpa, de cultura, turismo, lazer e meio ambiente, que geram emprego e renda com um desenvolvimento sustentável, respeitando todas as formas de vida.

Café, pescado, aço, petróleo e celulose precisam gerar trabalho, renda e futuro aqui. Desenvolvimento regional equilibrado não é gasto: é investimento estratégico.

O povo quer renda, dignidade e combate à fome. Não existe justiça social enquanto houver fome. Por isso é necessária uma proposta de renda básica estadual complementar, integrada aos programas federais, é uma medida de proteção social e de estímulo à economia local.

Governar é escolher. Escolher entre concentração ou distribuição. Entre proteger privilégios ou garantir dignidade. Nas eleições, o povo trabalhador precisa fazer uma escolha clara: eleger um governo para ficar ao lado do povo trabalhador.

Um governo do povo tem a juventude no centro. A juventude capixaba quer estudar, trabalhar e construir um futuro. A ausência de oportunidades não é um problema individual, mas resultado de políticas que falharam em incluir.

O jovem precisa de um Programa Primeiro Emprego Capixaba, aliado ao fortalecimento do Instituto Federal (Ifes) e da educação técnica, como meio para garantir formação profissional e inserção real no mundo do trabalho. Abandonar a juventude nunca foi solução, investir nela é o único caminho sustentável.

Justiça social e igualdade. Não há desenvolvimento verdadeiro com racismo, machismo ou exclusão. Justiça social não é favor, é direito. Nossa sociedade precisa de um governo que assuma o compromisso com políticas de autonomia econômica para as mulheres, oportunidades para a juventude negra e respeito aos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.

Segurança de verdade não se constrói apenas com repressão. Segurança pública se constrói com trabalho, renda, educação, cultura e esporte. Enfrentar a violência exige atacar suas causas estruturais, não apenas seus efeitos imediatos.

Royalties do petróleo pertencem ao povo capixaba e devem ser utilizados com responsabilidade social: em saúde, educação, geração de emprego e transição energética, não para sustentar privilégios.

O novo governo capixaba precisa governar com o povo, e o povo precisa de dirigentes que façam uma mudança na forma de governar. Que façam um governo aberto, com orçamento participativo, conselhos regionais e diálogo permanente com sindicatos e movimentos sociais. Afinal, ninguém conhece melhor a realidade do trabalhador do que o próprio trabalhador.

A próxima eleição não é apenas sobre nomes ou cargos. É sobre de que lado o governo vai estar. O povo trabalhador precisa de um governo que tenha coragem, para governar com o povo.

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