O governador Paulo Hartung já passou por muitos partidos. Do PSB ao PSDB, passando duas vezes pelo PMDB, não é uma liderança partidária, aliás, é um crítico dessa política no Brasil. Prefere trabalhar com os grupos, embora negue. Mas a importância de algumas siglas não é ignorada por ele. Neste contexto surge como nova menina dos olhos do governador, o PDT.
O partido vem se mostrando a maior força auxiliar do grupo político de Hartung e oferece espaços e quadros para o projeto do governador no Estado. Enquanto seu presidente Sérgio Vidigal (PDT) ainda remói a derrota para Audifax Barcelos (Rede) na Serra, Hartung vem trabalhando no fortalecimento do partido dentro de seu grupo, deixando de lado algumas inconveniências.
Na Assembleia, hoje o PDT é um problema. Euclério Sampaio é oposição declarada. Rodrigo Coelho foi para a sigla, enfrentando a ira petista, acreditando na proteção palaciana. Não teve condições de disputar a eleição no sul do Estado e nem de se viabilizar na presidência da Assembleia. Vai disputar a eleição para deputado federal com muita dificuldade. Josias da Vitória foi – pela segunda vez – tirado do jogo pela Mesa Diretora pelo governador.
Mas nem tudo é dificuldade no PDT. De lá vem Roberto Carneiro, um articulador de primeira hora que contribuiu muito para a movimentação de Hartung no sentido de esvaziar a candidatura à reeleição de Theodorico Ferraço (DEM) à presidência da Assembleia e articula dentro do partido uma manobra para endurecer na Câmara de Vitória, o enfrentamento ao prefeito Luciano Rezende (PPS).
Depois da negativa de filiação ao PSDB e com a possibilidade de ele ficar sozinho no PMDB com Rose de Freitas, o governador busca uma acomodação em outro partido. O PDT é o segundo maior partido do Estado, o campeão em número de vereadores em 2016, tem muitos aliados de Hartung, e pode ser uma excelente opção.
Mas o governador ainda tem muito tempo para pensar onde vai se acomodar. É bom ele saber, porém, que o PDT é uma força auxiliar sempre à mão e em condições de oferecer seu poder de fogo aos projetos de poder de Hartung, sem cobrar muito caro por isso.

