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Novos ritos

Em plena movimentação para as eleições de 2018, deve-se, até por dever de ofício, avaliar os estragos e benefícios que essa hecatombe na segurança pública do Estado pode trazer para as eleições de 2018. Pois ela ocorre num momento em que o governador Paulo Hartung já se encontrava na elaboração (como fez em disputas anteriores) de uma chapa para concorrer ao Senado. Numa clara combinação com os seus movimentos de migração para a política nacional. 
 
O que parecia tranquilo de articular, no entanto, não foi. O senador Ricardo Ferraço (PSDB), que nessa planilha eleitoral deveria ser o candidato ao governo, surpreendeu definindo-se pela reeleição, fechando a possibilidade de o governador disputar. Embora haja duas vagas, Ferraço, bem antes, numa atitude de legítima defesa, fez um pacto com  o seu companheiro de Senado, Magno Malta (PR), de não abrirem mão da vaga para o governador. 
 
Ainda nessa fase desfavorável a Hartung, o PSDB, um partido em que ele já havia pertencido,  e onde encontra-se, inclusive,  o vice governador César Colnago (PSDB), rejeitou o seu ingresso. Sobrava-lhe, então, a reeleição para o governo ou ficar no cargo para fazer o seu sucessor. 
 
Quando a coisa andava por aí, veio o aquartelamento dos PMs, colocando o Espírito Santo no centro de uma crise sem precedentes no País, com exposição internacional, e com sérias consequências à própria vida do capixaba. Não há nada que justifique as mais de 140 mortes, como também o pânico da população nesses dias. Apesar disso, torna-se necessário estender responsabilidades, por menores que possam ser. 
 
Pois desde o assassinato do juiz Alexandre Martins, ocorrido em 2003, ainda no início do primeiro governo de PH, há acusação à Corporação da PM de envolvimento no crime. Começou ali uma ação de esvaziamento dos poderes do alto comando da PM, deslocados na ocasião para o então secretário de Segurança Rodney Miranda (DEM), que se afastou do cargo de delegado federal pata integrar a equipe de Hartung
 
 A situação chegou a tal ingerência que, ainda hoje, o Serviço de Informação está localizado no gabinete do secretário de Segurança, atualmente sob o comando de André Garcia. Registre-se: incapaz, sequer, de detectar algo que era tão latente. Sinaliza-se: em meio à proporção que o caso tomou, Colnago  chegou a reconhecer publicamente que houve uma absurda deficiência do sistema de informação que não antecipou o movimento dos policiais. Mas o governo não ficaria de todo alheio ao que se passava nos quartéis. Os coronéis forçaram uma reunião com o governador, dando-lhe ciência da gravidade da situação, com pedido de intervenção do governador para evitar o pior.  
 
Bom, o momento político de PH está mais do que claro: a conservação da sua boa imagem nacional, já que os seus interesses, há muito, estão voltadas para fora do Estado. Almeja jogar no time de cima da política nacional. Pelo Estado, bem diferente. Além dos militares, ele tem no seu encalço o funcionalismo estadual. E uma dificuldade latente em reorganizar o seu campo político.
 
Do outro do lado encontra-se o ex-governador Renato Casagrande (PSB) e o prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS). O que eles estariam se beneficiando com esse episódio da revolta dos PMs?  
 
Por ora, quem realmente entrou no prejuízo foi a senadora Rose de Freitas (PMDB), escudada na sua condição de pré-candidata ao governo em 2018, tentou tirou tirar proveito da rebelião dos PMs, reunindo-se com as mulheres, mas quando viu que a coisa não era com ela imaginara, rendeu-se ao governador Paulo Hartung. Passou a elogiá-lo, principalmente na imprensa nacional.  Mas tratando-se de Rose, ela sempre teve bom faro para acertar o lado forte. Desta vez, o faro dela não funcionou como deveria. 

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