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Nunca enganou

O desconhecimento e a falta de interesse dos deputados integrantes da CPI do Pó Preto da Assembleia Legislativa já confirmam a previsão de o resultado favorecer as grandes empresas poluidoras do Estado, como corriqueiramente ocorre. Capaz até de virar uma passarela para que, principalmente a Vale e ArcelorMittal, possam posar como controladoras da poluição do ar que sacrifica a saúde da população na Grande Vitória.

Evidente que há exceções nessa  CPI, como a do deputado Gilsinho Lopes (PR). Não fossem suas intervenções na reunião dessa quarta-feira (15) que ouviu a Vale, dando a exata dimensão da poluição lançada por ela, a mineradora teria passado incólume. E teve outro parlamentar que também ajudou a desnudar essas duas grandes matrizes da poluição, que já adoeceu alguns milhares de moradores da Grande. Trata-se de Euclério Sampaio (PDT). Na falta de Gilsinho na reunião da semana passada, o pedetista foi o único que salvou em perguntas direcionadas ao presidente da ArcelorMittal, com denúncias contundentes.

A omissão dos demais deputados, inclusive o presidente Rafael Favatto (PEN) e o relator Dary Pagung (PRP), que propositalmente fazem questionamentos superficiais, tem ajudado muito a imprensa corporativa, que sempre recebeu verbas vultosas de publicidade das poluidoras. Na cobertura das reuniões, os destaques ficam para as promessas das empresas. As graves denúncias sequer têm sido publicadas. Aí reside o perigo, realmente. Os capixabas, mais uma vez, são enganados.

Não há como acreditar em boas intenções. É só voltar no tempo. Lá no começo das atividade das Usinas de Pellets no Porto de Tubarão, em 1969. Nessa primeira usina, a Vale sempre usou o “óleo baiano”, com 4% de enxofre. Cancerígeno.

Já nesse tempo, o “óleo baiano” se encontrava banido nas atividades industriais na Europa e dos Estados Unidos, exatamente por suas características danosas. Mas a Vale continuou a usá-lo nas outras sete usinas que vieram em seguida. Só o substituiu há pouco tempo. Dá para imaginar as vítimas que foram feitas em 45 anos de “óleo baiano” em cima da população da Grande Vitória?

Por que o “óleo baiano”?  Simplesmente por ser um óleo barato em relação aos demais. Muito mais barato. E ficou mais ainda depois da rejeição nos chamados países desenvolvidos. O “óleo baiano” caiu fora desses países pelos movimentos ambientalistas, os mesmo que andam agora no Espírito Santo partindo para cima das poluidoras.

Se as empresas foram capazes de fazer  dinheiro às custas da poluição e de doenças, arrasando vidas, o que esperar agora, com esse papo furado de que vêm controlando a poluição e vão acabar com ela? As promessas são de longo prazo e as metas inalcançáveis. São tentativas de oferecer uma resposta à população, acalmar os ânimos, e empurrar a questão com a barriga.

Empresas como Vale e Arcelor já produziram uma incontável soma de desastres ecológicos, todos eles previstos há muito tempo pelo naturalista capixaba Augusto Ruschi, que este ano faria 100 anos. Até hoje, o meio ambiente continua sendo lucro para as poluidoras.

Na verdade, essa CPI, tachada de “chapa branca”, nunca enganou a ninguém. Como disse outro dia o deputado estadual  Enivaldo dos Anjos (PSD): “esse povo deveria estar na cadeia”.

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