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O ‘Bebê de Rosemary’

O que nasceu do excelente projeto de lei do deputado Sérgio Majeski (PSDB) que garante a transparência nas votações da Assembleia Legislativa foi muito feio. Estrategicamente o governo, por meio de seus emissários – e aí a coluna não vai tecer louros ao desempenho do líder do governo Gildevan Fernandes, porque a manobra dessa quarta só foi necessária porque quem dormiu no ponto foi ele – usou a matéria como “barriga de aluguel” para gestar um verdadeiro “Bebê de Rosemary”.
 
O filme de Roman Polanski (de 1969), conta a história de Rosemary que, grávida, passa a ter estranhas alucinações. Ela é vítima de uma seita de bruxas que quer que ela dê luz ao filho das trevas. Talvez, a analogia, com o tenebroso filme seja exagerada. Mas ao observar a angústia do deputado Majeski ao tentar entender o que aquele jabuti estava fazendo em seu projeto, enquanto a base se movimentava de forma sorrateira para encaixar a emenda no projeto, não pareceu algo muito elogiável.
 
É verdade que o líder do governo jogou com o regimento debaixo do braço, embora haja controvérsias, como apontou o deputado Majeski, afinal, a tal emenda não guardava qualquer relação com o projeto por ele apresentado. Mas o fato é que, mesmo que seja totalmente legal, a manobra é imoral.
 
Os emissários palacianos dizerem que a manobra para permitir a retirada de assinaturas na fase de protocolo de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) não tem relação com a CPI da Cesan. Faça-me o favor! É brincar com a inteligência do cidadão. O governo não quer que se mexa com a Cesan, quer evitar qualquer tipo de lenha na fogueira acesa pelo prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS).
 
Para além da manobra em si, toda a questão chama atenção para como o Palácio Anchieta lida com a Assembleia, não admitindo qualquer tipo de movimentação que venha de encontro aos interesses do governador. A alegação de que a CPI poderia afastar os investidores interessados na empresa é justificativa para impedir a investigação sobre a empresa?
 
Ao dizer que há interesse político na questão também não justifica. Afinal, a Casa é política, o interesse do governo é político, o interesse da prefeitura é político. Mas uma coisa é jogar o jogo de forma limpa, às claras. A estratégia dessa quarta não teve fair play. Criou ainda mais dúvidas sobre a postura do governo sobre o assunto, que acusa os adversários de fazerem palanque político com o caso, mas faz uma manobra política para evitar qualquer tipo de investigação na empresa.
 
O que leva à pergunta: por que não investigar a Cesan?

Fragmentos:

1 – O deputado Federal Helder Salomão ministrará palestra durante o Seminário “Reforma da Previdência e Trabalhista – mais ataques aos direitos dos trabalhadores e construção de formas de resistência”, realizado no teatro do Instituto Federal do Espírito Santo – Ifes, em Vitória, na próxima sexta-feira (07), das 14h às 16h.

2 –  O deputado Lelo Coimbra (PMDB), líder da maioria está no foco da reforma previdenciária. Será que o eleitor vai entender isso como uma pauta positiva? A resposta virá em 2018, quando Lelo vai disputar a reeleição para a Câmara dos Deputados.

3 – Já a deputada federal Norma Ayub (DEM) foi citada em reportagem do jornal O Estado de São Paulo. A deputada destacou que vota contra a reforma, assim como a maioria, de acordo com o que aponta o jornal. “Voto pelo povo, por quem represento”, disse em sua página no Facebook.

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