O candidato ao governo do PT, deputado estadual Roberto Carlos, inicialmente escolhido pela cúpula estadual do partido como candidato para contribuir com a aliança Paulo Hartung – João Coser, numa espécie de candidato laranja, está sendo levado a assumir a candidatura para valer pelas principais correntes do partido, para vir a torna-se o puxador dos votos para a reeleição da presidente Dilma Rousseff no Estado.
O que, de certa forma, dá outro contexto à participação do PT nas eleições para o governo do Estado. Além dos benefícios para a candidata à presidência da República, servirá ainda para puxar a votação dos candidatos a deputado federal e estadual do partido.
O candidato ao Senado, João Coser, não está fora dessa meta, como também não está fora de ter uma boa votação puxada pelas lideranças e bases do partido. Mas repatriar Coser , não é tão fácil, será o mesmo que tirá-lo de uma cômoda aliança que pode fazer dele o favorito na eleição para o Senado.
A contrapartida de Paulo Hartung seria contar com a corrente que domina o partido, sob liderança de Coser e que conta com a adesão dos prefeitos de Colatina e Cachoeiro de Itapemirim, respectivamente, Leonardo Deptulski e Carlos Casteglione, e parte das lideranças sindicais puxada pelo vice-presidente do partido e presidente da CUT, José Carlos Nunes e Tarcísio Vargas. Como desenho de vitória para o Coser.
Agora, o que o Coser não esperava é que as bases pudessem reagir ao acordo selado por trás dos panos com Paulo Hartung e Sérgio Vidigal, que também entrou nessa coligação espúria. E muito menos que um partido que ele vem dominado há anos pudesse reagir a um bom arranjo político que oferecia ao PT uma cadeira de senador.
Mas como a situação é muito delicada para Coser mantê-la, a tendência é o candidato ao governo do partido ganhar companhia para ir para a rua defender a sua candidatura. O candidato Roberto Carlos é um quadro com capacidade de voos maiores se realmente sair-se bem dessas eleições, conquistando votos na Grande Vitória, principalmente na Serra, de onde é oriundo, e também junto aos negros, que numa eleição memoriável já votou maciçamente num negro para o governo do Estado, Albuíno de Azeredo.
É uma oportunidade ímpar para Roberto Carlos ganhar perdendo.

