O senador Ricardo Ferraço (PSDB) está metendo a sua colher na próxima eleição para o governo, inicialmente prevista para ser disputada entre o governador Paulo Hartung (PMDB) e o ex-governador Renato Casagrande (PSB). Ricardo quer fazer parte desse enredo para garantir sua reeleição ao Senado ou até se viabilizar como uma solução ao governo.Por que não?
Nessa direção, Ricardo Ferraço está em busca de criar atalhos que possam levá-lo a um sistema de “segurança política”. Esse quadro que está aí não lhe garante condição concreta para a eleição de 2018 quando, inclusive, o seu mandato de senador se expira. A ida dele para o PSDB deve ser vista por essa pretensão.
Não é de hoje que ele tenta caminhar por conta própria. Por ocasião da eleição de Luciano Rezende (PPS) à prefeitura de Vitória, ele tentou criar um novo aparelho político no momento em que Renato Casagrande ainda estava à frente do governo e PH armava ciladas em favor de sua candidatura ao governo.
De volta, agora, o senador encontra um novo cenário mas com os mesmos personagens. O governador Paulo Hartung fazendo de tudo para inviabilizar Casagrande como concorrente, que se mantém junto de Luciano para ajudá-lo no confronto com PH.
Mas para que Casagrande possa capitalizar com esse embate será preciso que Luciano saia-se bem na disputa pela prefeitura de Vitória. O preço é muito alto: a candidatura de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) à prefeitura. Mas o senador Ricardo Ferraço é hoje a maior patente política do PSDB no Estado.
Assim como o governo Paulo Hartung, o senador usa os partidos como bens eleitorais é só costuma recorrer a eles nessa hora em que requer ajustes eliminatórios em favor do sucesso eleitoral, como pretendem com essa eliminação do Luiz Paulo da disputa em Vitória.
Não deixando de ser uma enorme petulância em cima de quem é a própria imagem do PSDB no Espírito Santo. A ponto de ter que sacrificar candidaturas extremamente necessárias à existência do partido.
E não deve se perder de vista que o senador, ao se aproximar de Luciano, está também se aproximando do ex-governador Renato Casagrande, que se encontra hoje, em matéria eleitoral, melhor posicionado numa disputa para o governo do que Hartung.
Entretanto, é preciso aguardar mais um pouco antes de cravar que Ricardo Ferraço está bem no jogo, mas com a certeza de que ele não será um personagem central das próximos eleições, e sim um mero coadjuvante, herdeiro do maior coadjuvante da história política deste Estado, que é o seu pai e atual presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM).