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O calo doeu

Pode até não ter vingado, mas que a movimentação na Assembleia para a criação de um blocão de deputados independentes foi um golpe duro para o governador Paulo Hartung (PMDB), isso foi. Hartung que costuma articular as manobras em silêncio, atuando nos bastidores sem ter que expor as situações incômodas, desta vez foi obrigado a sair da sua zona de conforto. 
 
O governador usou um evento público, a solenidade de posse do novo procurador-geral do Ministério Público de Contas, Luciano Vieira, nessa quinta-feira (18), para fazer um desabafo. Quem diria, Hartung fazendo um desabafo! Sinal de que a coisa não está mais sob controle, como esteve no passado. 
 
Quem pensaria em uma articulação dessas em outros tempos? O governador diz que os deputados agiram pelas costas dele. Como se fosse inadmissível uma movimentação interna do Legislativo ser articulada sem a permissão do governador. Para conter o movimento, Hartung teve de bater na mesa em alguns casos, e fazer concessões em outros. 
 
A própria declaração mostra como o governador não admite articulações que não tenham a sua conivência. “As coisas feitas em momento da ausência da gente são algo ruim, mas paciência. Foram feitas, mas já foram consertadas. O governador precisa de muito apoio e peço apoio com muita humildade”, disse Hartung.
 
Embora fale em humildade, a declaração não tem nada de humilde. Mostra que as coisas precisam ser comunicadas ao governo e permitidas por ele. A história da independência dos poderes é mais fumaça do que nunca no Espírito Santo. É um recado direto para a classe política. Hartung não teria mais a mesma capacidade de controle e agora tenta expor os descontentes para manter uma harmonia forçada. 
 
Fragmentos:
 
1 – A Câmara de Guarapari aguarda a chegada do parecer do Tribunal de Contas do Estado sobre os balanços do deputado estadual e ex-prefeito Edson Magalhães (de saída do PMDB). O parecer técnico é pela rejeição das contas. 
 
2 – Na Câmara, o clima também não é favorável ao deputado, já que o atual prefeito e adversário de Magalhães, Orly Gomes (DEM), teria a maioria. Neste sentido, se o legislativo municipal confirmar a rejeição, Magalhães terá uma decisão colegiada em contrário, podendo ficar fora da eleição municipal, em que é considerado um candidato que ameaça fortemente a reeleição do demista. 
 
3 – Para os meios políticos, o deputado estadual pode ser uma vítima secundária da batalha que está sendo travada entre o governador Paulo Hartung (PMDB) e o presidente da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM), de quem Edson Magalhães é aliado.
 
 
 
 
 
 
 

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