As duas principais forças políticas que polarizaram a política nacional desde meados da década de 90, PT e PSDB hoje encontram-se em situações bem complicadas. As investigações da Operação Lava Jato, apontando suspeitas de corrupção, envolvendo as principais lideranças dos dois partidos, diminuiu drasticamente o poder de fogo dos dois partidos.
Mas no Espírito Santo, há um caminho de reconstrução para ambas as siglas. Apesar de todo o peso dos escândalos nacionais, tanto PT quanto PSDB contam com quadros em condições de puxar projetos eleitorais e fortalecer suas agremiações, emprestando suas imagens para os palanques políticos.
No PSDB, o nome do deputado estadual Sérgio Majeski é, no entendimento de sua executiva, um ponto fora da curva. O deputado representa bem o que o eleitor entende por nova política, com foco no profissionalismo, sem aderir a conchavos para aquisição de espaço e privilégios com os poderes. Na defesa de ideais, o parlamentar enfrenta os correligionários da mesma forma que enfrentaria opositores, passando ao largo do corporativismo que sempre tomou conta das instituições no Estado.
É claro que para Majeski, que chegou à Assembleia com pouco mais de 12 mil votos, assumir uma candidatura majoritária, como governo ou Senado, é um passo e tanto. Mas ele pode ser um trunfo no palanque dos aliados do partido. Para isso, porém, será preciso escolher muito bem o parceiro. Hoje é difícil encontrar um partido que caiba Majeski e seus ideais, por isso, com a aproximação de seu principal desafeto, o governador Paulo Hartung, com o DEM, fica afastada a possibilidade de os dois terem que conviver no mesmo espaço.
O PT é outro partido que teve um baque muito forte com suas principais lideranças envolvidas em escândalos. No Espírito Santo, o PT, mesmo já tendo governado o Estado, nunca teve um desempenho incrível, embora algumas de suas lideranças se sobressaiam aos problemas. Duas delas chamam atenção da classe política e podem vir a ser fortalecer no processo eleitoral de 2018.
João Coser tem a chance, com o afastamento do partido do governo Paulo Hartung, de se fortalecer. Caso ele se eleja para a Câmara dos Deputados no próximo ano, pode refazer seu caminho político e se tornar uma preocupação muito grande para o atual prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), que vai querer fazer o sucessor em 2020.
Mas a liderança que realmente chama atenção é o ex-prefeito de Cariacica, o deputado federal Helder Salomão. Ele tem rodado pelo Estado, superou esse discurso de defesa inflamada de Lula e Dilma, e tem mostrado serviço, se aproximado da base, e mantendo o respeito que a classe política nutre por ele. Helder tem nome para erguer um palanque majoritário no próximo ano, isso se o PT lhe der as condições necessárias.
Se nacionalmente as siglas seguem em desgaste, no Espírito Santo esses partidos podem ainda protagonizar boas brigas eleitorais.

