Chamou a atenção no discurso do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) o aspecto que ele mesmo destacou como parte mais importante do pronunciamento. Quando foi ao púlpito para falar aos convencionais, não quis nenhuma liderança carimbada ao seu lado. Chamou a juventude do PMDB, que o cercou durante a fala.
A ideia ali era de buscar um link com a juventude. Destacou movimentos populares internacionais como a “Primavera Árabe”, “Occupy Wall Street” e “Ocupar em Madri” até chegar aos movimentos de junho do ano passado no Brasil. Lembrou sua atuação no movimento estudantil para buscar a legitimidade do discurso.
Falou das tecnologias da informação e da globalização e do desafio da classe política em buscar um novo diálogo com a sociedade. Essa busca de aproximação com as novas demandas sociais, aliado ao abstrato e eficiente slogan “O Espírito Santo pode mais”, busca a aproximação com os anseios criados pela nova classe média, que ascendeu junto com o governo petista em nível nacional.
Ascensão que ele reivindicou apontando dados de mudança de patamares sociais ocorridos em seu governo, como se as ações locais e não o momento econômico do País fossem as responsáveis pela mudança. Como Casagrande estava à frente do governo no momento das movimentações do ano passado fica fragilizado.
Essa tentativa de aproximação com as bandeiras da rua está até na composição de seu palanque. Casagrande tem 15 partidos ao seu lado, Hartung tem o PSDB, o DEM, o PEN, o Pros e o PSL. Poucos partidos significam poucos políticos carimbados no palanque. O ex-governador passa a imagem de que também anseia por mudanças, mas não seria o próprio Hartung uma das lideranças que os movimentos rejeitaram?
Desde que saiu do movimento estudantil Hartung é político. Ficou os últimos três anos na planície e vendeu uma imagem de especialista em gestão, com suas palestras, mas nunca se afastou das articulações.
Será que a imagem de candidato que vai atender aos interesses da nova classe média vai convencer o eleitor que foi às ruas o ano passado ou será entendido seu discurso como o velho de roupa nova?
Fragmentos:
1 – A quem queira enganar os candidatos que dizem que a disputa deste ano também não visa às composições para as eleições municipais de 2016?
2 – O ex-governador Paulo Hartung mostrou na convenção do PMDB que ainda não superou a negativa da legenda para que ele disputasse o governo em 1998, quando perdeu a convenção para o ex-governador José Ignácio Ferreira.
3 – Interesses dos partidos dificultam o fechamento das últimas alianças para o palanque palaciano. Ninguém quer discutir espaço depois da eleição, querem ratear agora.