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O desabafo dos policiais civis

A audiência pública na manhã dessa terça-feira (26) na Assembleia Legislativa foi um verdadeiro desabafo dos policiais civis. O tom dos discursos dos oradores foi marcado pelas críticas à falta de diálogo por parte do governo do Estado, que tem ignorado a pauta de reivindicações dos policiais. O clima era tão tenso que, a certa altura, o deputado Gilsinho Lopes (PR), que conduzia a sessão, pediu para um colega da polícia “pegar mais leve”. 
 
Os representantes das entidades policiais criticaram principalmente o secretário de Segurança Pública André Garcia, que foi convidado para esclarecer a posição do governo na audiência, mas que preferiu se omitir, deixando claro que o diálogo não é uma prática deste governo. 
 
A pauta dos policiais civis inclui a aplicação correta da lei orçamentária, reposição de efetivos, nomeações para repor os policiais que se aposentaram. Eles também pedem que a cúpula da Sesp pare de persegui-los.
 
Mais do que a pauta de reivindicações emperrada, os policiais se queixam da dificuldade em abrir um canal de negociação com o governo. Ao contrário, o secretário André Garcia vem dando declarações à imprensa e tomando medidas que só servem para aumentar a tensão entre o governo do Estado e os policiais civis. 
 
“O senhor [André Garcia] pode invocar que estamos fazendo greve, mas nós não estamos fazendo greve. Estamos numa situação de colapso e temos o direito de nos manifestar contra a opressão”, disse o presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia (Sindepes), Rodolfo Laterza.
 
Essa polêmica em torno da greve irritou ainda mais os policiais. Para sufocar a possibilidade de paralisação dos policiais civis, o governo do Estado conseguiu uma liminar para se precaver de uma paralisação. A medida foi interpretada como ofensiva e injustificável, uma vez que os policiais têm buscado a via do diálogo para resolver o impasse sem recorrer à greve.
 
Outro ponto que irritou a categoria foi o governo ter dito que os policiais estão satisfeitos com os salários. Todos os oradores que foram à tribuna fizeram questão registrar sua indignação à declaração. 
 
A falta de habilidade para abrir negociação com os policiais civis confirma que Paulo Hartung continua sendo um governante refratário ao diálogo. Esse filme é velho. Essa era uma prática corriqueira nos seus dois primeiros governos que se repete neste terceiro mandato. 
 
O governo vem tratando os servidores públicos estaduais exatamente da mesma maneira. A categoria vem insistindo em estabelecer uma via de negociação o Palácio Anchieta desde o início do governo, mas Hartung continua fechado para o diálogo. 
 
A estratégia para manter os servidores distantes do Palácio Anchieta tem sido a ameaça. Nos momentos em que os servidores aumentaram a pressão sobre o governo, como fazem agora os policiais civis, Hartung passou a mandar “recados ameaçadores” nos contracheques dos mais de 70 mil funcionários públicos. Na carta, depois de alegar que estava com o caixa vazio para conceder qualquer reposição ao funcionalismo, ele passava a mensagem nas entrelinhas que os servidores deveriam dar graças a Deus por ainda estarem recebendo os salários em dia, ao contrário de outros estados. 
 
Com os policiais civis, a estratégia também tem sido a ameaça. Além da liminar preventiva para tornar ilegal uma eventual greve, o governo tem perseguido os policiais, punindo-os com transferências indesejáveis e outras medidas veladas que os prejudiquem. 
 
Esta postura truculenta de Hartung para conduzir as demandas do funcionalismo tem engrossado o coro dos insatisfeitos. E isso não é bom para nenhum governante. E isso já é sintomático. Durante a audiência, um dos policiais advertiu: “Se não houver diálogo, o caldo vai engrossar para o lado do governo”.

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