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O dono da bola

É profundo, intenso e marcante o menosprezo do governo federal aos esportes. Não fosse assim, a presidente Dilma Rousseff não teria nomeado ministro o deputado Georges Hilton, radialista de origem baiana e pastor evangélico em Minas Gerais.
 
Não parece levar jeito com a bola de futebol, mas tem cara de esperto.  Não fosse liso, não estaria no terceiro mandato como deputado federal antes dos 50 anos.
 
Embora não leve jeito de que tenha praticado algum esporte, o gordinho Hilton tem cara de esperto, tanto que já mudou de partido algumas vezes. Desde jovem pertence à Igreja Universal do Reino de Deus, chefiada por Edir Macedo.
 
Sua nomeação para o Ministério do Esporte parece fazer parte de uma jogada governamental para “ganhar” a bancada evangélica e avançar junto ao público da TV Record, que cobrirá com exclusividade os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio. Só assim se pode explicar a escalação de Georges Hilton na seleção de ministros do governo Dilma II.
 
A Globo que se morda de inveja: no país do futebol, a escolha do ministro dos Esportes corresponde à política mais rasteira. Se fosse o Galvão Bueno não seria melhor nem pior.
 
A pergunta que fica é como podem os presidentes brasileiros colocar no comando da pasta dos esportes figuras desconhecidas, sem identidade com algo que mexe profundamente com a alma brasileira?
 
Entende-se que o recém-eleito senador Romário não queira pegar o Ministério do Esporte, porque passou para a oposição, mas não é por falta de gente competente que o esporte é tratado como coisa menor, assunto de terceira categoria… Ao menosprezar o esporte, o governo sinaliza negativamente à sociedade. É como se dissesse: “A área está livre para jogadas de baixo nível”. Como faz a CBF, ao nomear um picareta para a chefia da delegação que vai ao Chile disputar a Copa América.
 
A nomeação de nulidades para cargos importantes é uma contradição dentro de um governo cujas empresas públicas – BB, Caixa, Correios, Eletrobras, Petrobras – investem milhões patrocinando eventos esportivos e clubes de futebol, vôlei, atletismo, tênis etc.
 
Embora os estádios brasileiros raramente fiquem lotados, o futebol mobiliza milhões de pessoas que acompanham os jogos pelo rádio e a TV. O vôlei, o basquete, o tênis, o surfe, o automobilismo, o handebol, até o golfe estão em expansão no Brasil.
 
Tomado pela violência, o futebol parece em declínio, embora muitas pessoas físicas e jurídicas mobilizem milhões de dólares em patrocínios, estádios e atletas.
 
Assim como os torcedores aguentam 90 minutos no afã de ver um golzinho por partida, nós eleitores precisamos ter paciência para ver como joga esse tal de Georges Hilton. Até agora, passados os primeiros 100 dias do governo, parece que ele ainda não viu a cor da bola…
 
LEMBRETE DE OCASIÃO
“O violento ofende o futebol como o bêbado ofende o vinho”
Eduardo Galeano

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