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O elefante branco de PH

Antes de deixar o governo, Paulo Hartung queria erguer uma obra suntuosa. Uma construção magnifica que entraria para posteridade como marca simbólica do modernismo de sua gestão. 

 
Na visão de Hartung, o Cais das Artes representaria a vanguarda de seu governo. O projeto arquitetônico, assinado pelo arquiteto capixaba mundialmente conhecido Paulo Mendes da Rocha, pretendia transmitir a grandiosidade do que representou a Era Hartung para o Espírito Santo.  
 
As cifras acompanharam a audácia do empreendimento. Em 2009, quando foi concebido, o projeto estava estimado em R$ 115 milhões. Um empreendimento antagônico às carências sociais do Estado, que ficou devendo principalmente nas áreas de saúde, segurança e educação.
 
Apesar do desvario, Hartung deu andamento ao projeto que deveria ser concluído no segundo semestre de 2012, já sob a gestão do seu sucessor, Renato Casagrande. Desde o início, a obra foi marcada por irregularidades. A empresa mineira Santa Bárbara Engenharia S/A, que não tinha nenhuma tradição neste tipo de projeto, estranhamente arrebatou sem concorrência a licitação, o que é incomum em uma obra com valor inicial de mais de R$ 115 milhões. Valor nada desprezível.
 
Como geralmente o que começa errado termina errado, a empresa quebrou após embolsar mais de R$ 60 milhões e completar apenas 40% da obra. 
 
A saída repentina da empresa em fevereiro de 2012 e os altos custos do projeto fizeram o governo Renato Casagrande enfiar a obra no freezer. A queda de arrecadação do Estado somada aos problemas com a empresa acabaram deixando a obra paralisado por mais de um ano. 
 
O grande período de paralisação gerou novos prejuízo aos cofres públicos. A parte já edificada do Cais das Artes foi se deteriorando, assim como os materiais que permanecem até hoje abandonados no canteiro de obras, vizinho à Praça do Papa, na Enseada do Suá, em Vitória, um dos bairros mais nobres da Capital – lógico, Hartung não iria querer fincar uma obra majestosa, espelho da sua gestão, em um bairro periférico da cidade. 
 
Nesta quarta-feira (10), o  Instituto de Obras Públicas do Estado (Iopes) anunciou o nome da nova empresa que irá retomar as obras do Cais das Artes. A empreiteira Andrade Valadares receberá R$ 118,6 milhões para concluir o elefante branco que permanece inerte há mais de um ano. 
 
Somado aos R$ 60 milhões já pagos à falida Santa Bárbara, os R$ 118,6 milhões – valor que dificilmente não será acrescido de aditivos – empurra o valor da obra para mais de R$ 178 milhões. Lembrança de ocasião: o Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, o maior do Espírito Santo, com mais de 424 leitos, custou R$ 165 milhões. Não deve ser necessário perguntar o que seria mais importante para a população capixaba. Mas, no caso do Cais das Artes, nós contribuintes, estamos pagando nossos impostos para atender a um capricho do ex-governador. O povo pode continuar sucumbindo nas filas dos hospitais públicos superlotados. 

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