Foi Ferraço que, de fato, recolou o ex-governador Renato Casagrande para dentro da CPI do Empenho, que tem o objetivo de impedir o socialista de candidatar-se ao governo do Estado em 2018. Em outras palavras, entregou a PH a condição de arbitrar quem será o próximo governador. Com certeza, ele próprio.
Ferração coloriu essa situação com uma cara de democrata de fazer inveja ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Ulisses Guimarães. Dificilmente haveria outro com tamanha cara de pau. Livrou PH de assumiu o ônus da barbárie democrata que havia encaminhado através do líder do governo, deputado Gildevan Fernandes (PMDB). Algo que não ocorreria se o presidente tivesse compromisso com a imagem da Assembleia.
Para quem como Hartung, que anda com a popularidade em baixa, com um presidente da Assembleia à mão, o que não proporcionará ao atual governador na busca de uma reeleição?
Ferração é a configuração do gavião, soberano das aves de rapina, que se renova batendo com o bico na pedra para cair e dar lugar a um outro para mantê-lo o predador de sempre. Esse Ferração que está ai já trocou de bico inúmeras vezes. O que vem lhe garantindo a condição de peça de poder nos últimos 50 anos da política capixaba.
E ele é um jogador político que não se alinha, como também não é de grupo político. É daqueles que tem objetivos próprios, como agora em busca da derrubada do prefeito de Itapemirim, Luciano Paiva (Pros). Esse entre saí do prefeito tem a mão dele. Ele quer a prefeitura que já foi comandada por sua mulher, Norma Ayub (DEM), de volta.
Pelo poder Legislativo que ele preside, passam os interesses dos demais Poderes, com os quais Ferração tem sido extremamente favorável aos seus pleitos. Mas ele não tem o objetivo de disputar o governo do Estado ou mesmo Senado.O que ele delimitou para si não tromba em cima dos interesses de PH. Com essa limitação de campo, ele vai mantendo a Assembleia sob seu poder e “quebrando os galhos” para o governador nas horas mais decisivas, como na votação de hoje.
Apesar dos préstimos de Ferração, PH bem que andou pensando em substituí-lo. Diziam que ele estava cansada da imprevisibilidade de do deputado. Mas depois da jogada de hoje, vai ter que continuar com ele na presidência da Assembleia. Pois ainda há para PH um bom caminho até as eleições de 2018. Mais cedo ou mais tarde Hartung vai cruzar Casagrande pelo caminho. A propósito, as eleições municipais estão ai. Pois a tendência dessa eleição é que eles estejam em palanques diferentes, principalmente na Grande Vitória.
Ferração, em política, é daqueles que fazem transluzir emoções diferentes.

