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O fim do mundo

A pedido da Agência Espacial Norte-Americana (NASA), um matemático de sobrenome Motesharrei, que leciona e pesquisa na Universidade de Maryland, produziu um estudo sobre as possíveis/prováveis consequências da exacerbação da produção e do consumo de alimentos, energia, armas etc. Segundo o estudo, a civilização humana está à beira do colapso devido ao crescimento da população e às mudanças climáticas.
 
Esse diagnóstico não é novo, mas a equipe de Motesharrei listou os ingredientes que se combinam para promover o fim do mundo (do mundo que nós humanos conhecemos, bem entendido). O colapso pode vir da falta de controle de aspectos básicos que regem uma civilização, como o crescimento da população, o clima, o estado das culturas agrícolas e a disponibilidade de água e energia.
 
O Observatório da Nasa já constatou diversas vezes a multiplicação de eventos climáticos extremos, como o frio intenso do último inverno na América do Norte e o calor que, nos últimos meses, afligiu a Austrália e a América do Sul. Seus estragos paralisam setores vitais para o funcionamento da sociedade.
 
A economia também desempenha um papel importante. Quanto maior for a diferença entre ricos e pobres, diz o estudo, maiores as chances de um desastre. Segundo a pesquisa, a desigualdade entre as classes sociais vem pautando o fim de impérios há mais de cinco mil anos. Motesharrei cita outros estudos históricos que mostram como crises no clima ou em setores como o energético podem gerar convulsões sociais.
 
Com o desenvolvimento tecnológico, a agricultura e a indústria registraram um aumento brutal de produtividade nos últimos 200 anos. Ao mesmo tempo, porém, contribuíram para que a demanda crescesse de um modo quase incessante. Ainda assim, entre 1 a 2 bilhões de pessoas passam fome no planeta.  
 
Hoje, se todos adotassem o estilo de vida dos americanos, seriam necessários cinco planetas para atender as necessidades da população. Por isso, segundo Motesharrei e sua equipe, “achamos difícil evitar o colapso”, já que a maior parte do mundo se orienta pelo estilo norte-americano, que segue exercendo forte liderança no mundo.
 
A pesquisa ressalta que o fim da civilização ainda pode ser evitado, desde que a humanidade passe por grandes modificações. As principais medidas seriam controlar a taxa de crescimento populacional e diminuir a dependência por recursos naturais — além disso, estes bens deveriam ser distribuídos de um modo mais igualitário.
 
LEMBRETE DE OCASIÃO
 
“A atual riqueza americana não foi sonhada pelos fundadores do país e não constituiu um de seus objetivos. (…) A riqueza está tornando a América indiferente aos seus próprios ideais, levando-a a (…) exatamente o oposto daquilo que a Revolução Americana representa. Transforma-a no policial que monta guarda aos interesses criados.” (Arnold Toynbee, historiador inglês, em conferência na Filadélfia em 1961)

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