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Sábado, 15 Mai 2021

​O futuro com outra cara...

As ameaças contidas nas entrevistas do presidente Bolsonaro – "Semana que vem tem mais..." – não passam de um discurso populista em busca de se manter bem nas pesquisas. Perdeu a força do carisma anti-PT. Mas, a rigor, possui uma dose muito forte de arrogância e autoritarismo grotesco. O conteúdo retórico é o mesmo: "Se nós não tivermos o voto impresso em 2022, uma maneira de auditar o voto, nós vamos ter problema pior que os Estados Unidos" (referindo-se à invasão ao Capitólio promovida por Trump). Soa ameaçador, ainda, porque ecoa de um capitão cercado de militar. Mesmo que os tempos sejam outros e a eleição de Biden, nos EUA, mude um pouco o panorama.

Daqui a menos de dois anos teremos eleições. As frases tentam encaixar na estação política. Não passa de um escapismo usado pela extrema direita Trumpiana. Na espécie, trata-se da volúpia em manter aceso o pavio da reeleição. Mesmo que para isso tenha que virar a cara para as mortes provocada pela pandemia, o fracasso da política de compra das vacinas (erros de mais vacinas de menos), o conluio fraterno com o Centrão, a elevação dos preços dos combustíveis, enfim, o fracasso de sua plataforma político-administrativa. É uma tática que deu certo até determinado momento. As pesquisas são seu desiderato.

A situação não é a mesma de antes. Não é. No interior, decisivamente não é. Pelo menos no momento. O eleitor está em busca de vacina, emprego e auxilio mensal do governo. Internalizou o pânico em saber que as novas variantes acenam que o vírus veio para ficar. Tais fatos, sem dúvida, balançaram o coreto bolsonariano. A conversa negacionista contra a vacina ficou pra trás. Assim como a gripezinha. Todo mundo quer saber que dia vai tomar sua vacina. E por que do atraso.

Os cinco deputados federais – Norma Ayub (DEM), Da Vitória (Cidadania), Soraya Manato (PSL), Lauriete (PSC), Neucima Fraga (PSD) – que votaram a favor do deputado bolsonaristas Daniel Silveira (PSL-RJ), fizeram uma leitura vesga de como pensa o eleitorado. Não se aceita mais que a liberdade de expressão e a democracia, coisas que são tão caras, sejam usadas para que um deputado totalmente desqualificado venha cometer crimes, que, a fim e ao cabo, são exatamente os crimes que colocam fim na liberdade de expressão e democracia. As justificativas de voto de cada um dos cinco deputados não foram digeridas. Passou da hora de se fazer uma autocrítica, tanto é que alguns foram derrotadas em eleições municipais.

O governador Renato Casagrande (PSB) parece que acerta na veia quando começa a conduzir sua campanha à reeleição através dos prefeitos que, aliás, se saíram muito bem principalmente na condução da pandemia. O prefeito de Cachoeiro, Victor Coelho (PSB), por exemplo, aliado fidelíssimo de Renato, que alcançou uma vitória esplendorosa num reduto que não era, mas passou a ser seu, é, como se cogita no mercado, o político adequado para assumir a Associação dos Municípios do Estado (Amunes). Longe, muito longe de conflitos ideológicos, mas fiel ao governador, pode trazer tranquilidade no concerto político-eleitoral. É uma garantia nessa turbulência e uma estratégia política bem urdida. O que se procura, nesses tempos sombrios, é confiança e certeza. Pra trabalhar em paz. E isso o governador terá.

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