No afã de enfraquecer o clã Ferraço, que já contava com o Senado (Ricardo Ferraço), a Câmara dos Deputados (Norma Ayub) e a Assembleia Legislativa (Theodorico Ferraço), o governador Paulo Hartung (PMDB) fortaleceu a candidatura de Erick Musso (PMDB) ao não defender a candidatura de Ferração para o quarto mandato à frente da Casa. Todo mundo avisou que esta era uma manobra arriscada, mas ninguém imaginou que a coisa iria degringolar tão cedo e causar todo esse estrago.
Erick Musso foi colocado, logo de cara, no meio de uma prova de foco. Em meio à crise na segurança pública, topou uma reunião com as mulheres dos policiais aquartelados, com a participação da senadora Rose de Freitas (PMDB), desafeta de Hartung e candidatíssima a governadora em 2018; e o deputado estadual Da Vitória (PDT), que foi preterido na eleição da Mesa Diretora pelo governo, e está pedindo a cabeça do secretário de Segurança André Garcia desde o início da crise.
Cheio da boa intenção, Erick Musso fez a reunião e na hora de levar a pauta para o governo, o secretário-chefe da Casa Civil Zé Carlinhos da Fonseca, fechou a porta. Erick ficou sem entender o que fez de errado. No ímpeto da juventude, o deputado de primeiro mandato cometeu um pecado grave para os meios políticos: a inocência.
Se deixou levar pelo desejo de ajudar na busca de uma solução para o problema, mas o menino prodígio de Aracruz, que aos 29 anos de idade chegou à presidência da Assembleia, acabou se envolvendo em uma guerra política entre o governador Paulo Hartung e seus desafetos políticos.
E descobriu que mesmo na guerra, os interesses políticos do governador vem antes e colocar lideranças que não se afinam com sua política na linha de fogo pode ser perigoso. Agora, como Hartung não citou os nomes das lideranças que estavam “atrapalhando” o processo de negociação, a Assembleia toda ficou queimada e de sobreaviso.
Se pudesse voltar no tempo, talvez o governador Paulo Hartung tivesse feito outra escolha para o comando da Assembleia, porque com Ferração lá a coisa seria diferente. Mas, como disse o próprio Ferraço sobre seu sucessor, experiência ele adquire com o tempo.
Fragmentos:
1 – O governador Paulo Hartung (PMDB) que já foi cotado até para presidência da República, hoje está em viés de baixa. A estratégia de antecipar a volta e sair atirando contra os militares e a Assembleia não parece capaz de reduzir o prejuízo em sua imagem.
2 – Os próprios analistas políticos que até outro dia festejavam Hartung como um exemplo de gestor, hoje começam a questionar os números mágicos apresentados pelo governador para demonstrar a recuperação econômica do Estado.
3 – Há aqui duas visões sobre o entrevero da classe política sobre a crise na segurança. Por um lado, a senadora Rose de Freitas poderia estar se capitalizando para 2018, por outro, Hartung não aceitaria uma costura feita por ela.

