A expectativa nos meios políticos é de que Rodrigo Coelho (PDT) seja anunciado nos próximos dias como o líder do governo na Assembleia Legislativa. Evidentemente, o perfil conciliador e a dedicação na defesa dos projetos pesaram na escolha do governador. Rodrigo é um deputado leal ao Palácio Anchieta e vai pegar o cargo na melhor parte do governo… para os deputados.
Hartung, em meio a uma crise sem precedentes, vai precisar mudar sua imagem com o eleitorado se quiser ter chances de recuperação até 2018. Por isso, a tendência é de que comecem a chegar à Assembleia os projetos de entrega. Já as matérias espinhosas, como a venda do Banestes e da Cesan, que eram vistos como soluções para o governo fazer caixa rapidamente, já são assuntos superados.
As emendas dos deputados também devem ser olhadas com muito mais carinho pelo Palácio Anchieta. Coelho vai ser o líder da bonança, diferentemente de Gildevan Fernandes (PMDB) que pegou a fase ruim do governo. Sua missão na Assembleia era a de criar dificuldades para a aprovação dos projetos dos deputados e tentar acelerar os projetos do governo, aprovando tudo em toque de caixa, sem muita discussão.
Nesse sentido, foi aprovada na Casa a polêmica PEC que deixou a Constituição capenga, sem um artigo, para garantir o sigilo sobre as renúncias fiscais do Estado. Também atuou como leão de chácara para enfrentar os críticos do governo, em especial, o deputado Sérgio Majeski (PSDB).
O governador Paulo Hartung precisa dos deputados neste momento. E vai tentar mudar a relação com os deputados. Uma vez tendo sentido o gostinho de uma vitória pela pressão, com o movimento pela derrubada do líder, o Plenário parece ter entendido que pode se relacionar com o governo em outro patamar.
Com o aval do presidente Erick Musso (PMDB), Rodrigo, que é esperto, vai evitar entrar em bola dividida com os colegas, como costumava fazer Gildevan. Nesse clima mais pacífico os deputados vão ter mais tranquiliade para construir seus palanques de reeleição, agradando as bases, isso sem entrar em atrito com o Palácio. Agora é hora de harmonia e Rodrigo vai ajudar nesse processo.
Fragmentos:
1 – O Plenário da Assembleia passou boa parte da sessão dessa quarta-feira pedindo a cabeça do criminoso que assaltou o “Professor Nota 10”. Teve até deputado defendendo porte de arma para “cidadão de bem”. Aí vem essa bomba do diploma falso. Qual será o comportamento da Assembleia agora?
2 – Os deputados miraram nesta quarta-feira (10) o secretário de Transparência, Eugênio Ricas. Quem também virou alvo do Plenário foi o secretário de Agricultura, Octaciano Neto. Justamente os nomes que começam a se destacar no cenário político e podem ser apostas palacianas em 2018.
3 – O caso de Max da Mata é diferente. O secretário de Esportes tem irritado os parlamentares porque tem usado uma prática já conhecida na pasta, a de fazer entregas Estado adentro. A diferença é não ter chamado os deputados para os eventos.

