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O Monstro & o Monstro 

A criatura dominou seu criador

Com tantos livros publicados no mundo todo diariamente é impossível definir quais os melhores ou piores, e nem sempre o que faz sucesso é melhor que os acumulando poeira nas prateleiras das livrarias. O Museu do Esquecimento está cheio de obras escritas por vencedores do Nobel. Um livro, porém, ganhou uma data especial, só para ele: o  penúltimo dia de agosto é dedicado ao Frankenstein, nosso monstro favorito que usurpou o nome de seu criador. 

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Frankenstein é o cientista que criou o monstro, mas em um desvio de personalidades, esse absorveu aquele. A criatura dominou seu criador. Mary Shelley tinha 18 anos e não era ainda uma escritora, mas vivia em um mundo literário: o pai e a mãe eram autores respeitados; o amante e futuro marido, Percy Shelley, era um renomado poeta, e o amante da irmã era ninguém menos que Lord Byron. O ambiente gerou o gênio.

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Esse grupo seleto viajava pela Suíça com mais um ou dois amigos também intelectuais. Em um dia tedioso, num tempo sem televisão e computador, Byron propõe um desafio: Qual deles escreveria a melhor história de horror? Mary começou a escrever um conto, mas os parceiros gostaram tanto do enredo que a convenceram a transformá-la em um romance: “Frankenstein ou O Moderno Prometeu”. Nem todos leram, mas quem não conhece? 

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Esse foi o primeiro, mas não o único livro que ela escreveu – Mary foi autora, dramaturga, ensaísta, bióloga, além de livros de viagens.O romance gótico foi publicado pela primeira vez em janeiro de 1818, na Inglaterra, mas a data escolhida para celebrá-lo é a do nascimento da autora: 30 de agosto. Mary teve uma vida difícil, dramática e atribulada, mas o monstro que criou continua encantando e assustando multidões.

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Enquanto isso… Em um dia 30 do chamado mês do desgosto, 20 anos strás, o Furacão Katrina arrasou a bela cidade de Nova Orleans, um desastre que assombrará ainda por muito tempo a memória coletiva desse país – 1.400 pessoas morreram na tragédia, a maioria pobres e negros. Qual a novidade? A cidade deixou de existir por seis meses e foram necessários muitos anos e bilhões de dólares para reerguê-la.  Muitos residentes que fugiram da tragédia nunca mais voltaram. 

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De quem é a culpa? Da natureza ou do dono dela? Um desastre ecológico de tal envergadura não poderia ser evitado ou desviado, mas seus efeitos poderiam e deveriam ter sido minimizados. Mesmo antecipado, muito pouco foi feito para isso. E a pobreza sem recursos foi abandonada aos caprichos da natureza.  Com o tempo, as estruturas da cidade foram reerguidas, mas sua cultura característica não foi ainda e talvez não seja mais recuperada. Katrina deixou um trauma pessoal e coletivo que vai demorar a desaparecer.

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Ouvido em uma entrevista: Imóveis e carros estão caríssimos e a economia local depende do turismo, que gera empregos mal pagos. Outro comentou: Nada funciona! A cidade também sofreu um ataque terrorista mas continua de pé, lutando para manter suas raízes e tradições,. E os restaurantes continuam servindo a melhor comida do país.

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