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O mundo fantástico de Luciano

Que Vitória é essa que o prefeito Luciano Rezende (PPS) pintou em sua entrevista ao jornal A Gazeta desta segunda-feira (4)? A cidade mostrada pelo prefeito, apesar da crise, é perfeita. O prefeito ignora os problemas administrativos da capital, que não são poucos, e os políticos, evidenciados pela grave crise entre o Executivo e o Legislativo. 
 
Embora seja bem recorrente nos meios políticos e entre a população que a tal mudança prometida no processo eleitoral não aconteceu, o prefeito diz que atingiu a totalidade de sua metas. “Na campanha, dizia que iríamos transformar Vitória em uma cidade mais organizada, mas segura e mais humana. Cem por cento disso foi cumprido”. 
 
Foi no mínimo apressado dizer que ao chegar ao quarto ano de seu mandato, o prefeito já teria atingido tais metas, até porque todas são subjetivas. Quanto à redução da violência, em especial, é muito complicado dizer que hoje Vitória é uma cidade “absolutamente segura”. Não é bem assim, mesmo que os índices de violência estivessem próximos de zero, leva bastante tempo para que essa sensação de segurança chegue à população, além disso, uma cidade não alcança esse objetivo sozinha. 
 
Na questão política, a coisa é ainda mais surreal. O relacionamento do prefeito com a Câmara está tão complicado que ele só conseguiu aprovar seu orçamento aos  45 do segundo tempo e porque enviou uma emenda modificativa de última hora. 
 
Teve que suar a camisa para não começar o ano com 1/12 do Orçamento e ainda sofreu uma derrota no que diz respeito ao percentual livre para mexer na peça. Queria 20%, mas só terá 5%. Fruto de muita ingerência no processo político, e de forma antecipada, o que vem irritando vereadores que estavam em outros palanques e também os aliados. 
 
Já em relação ao governador Paulo Hartung é possível perceber o cuidado excessivo para não entrar em rota de colisão com o Palácio Anchieta, ao mesmo tempo em que há um cuidado para não espantar o ex-governador Renato Casagrande (PSB). Uma corda-bamba bem perigosa para o prefeito. 
 
É claro que o prefeito tem suas chances e também tem que defender sua gestão. Mas é preciso ter os pés bem fincado na realidade para que esse mundo de sonhos não se transforme em ferramenta nas mãos de seus opositores. 
 
 
Fragmentos:
 
1 – Mais do que cargos – que não são poucos – a Secretaria estadual de Desenvolvimento Urbano, comandada por João Coser (PT), tem um orçamento que dá destaque a seu titular. No Diário Oficial desta segunda-feira (4), há vários contratos com municípios do interior. 

 

2 – Essa movimentação poderia ser uma boa para o PT pragmático. Mas nem isso, já que não há ganhos para os quadros do partido. Há ganhos apenas para o grupo cada vez mais restrito de João Coser. 

3 – A situação interna no PT em relação à sua posição no governo Paulo Hartung nunca foi boa, mas agora está insustentável. A coisa gera ciúmes até no PSDB, que viu seu principal adversário ser beneficiado no governo que os tucanos ajudaram a eleger.

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